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Modelo Mental – Onde está a mente?

Na primeira aula do curso da Pós, após experimentarmos um pouco o modelo de jogo do Nintendo Wii, iniciamos um debate sobre Modelos Mentais. Nosso professor Fred, do blog Usabilidoido, nos questionou sobre a localização da mente. Estaria ela no nosso cérebro? Poderia estar também “espalhada” pelo corpo?

A questão gerou certa polêmica e todos trouxeram pensamentos interessantes, no entanto, senti um pouco a falta de teorias (afinal de contas, psicólogo que é psicólogo adora teorias). Comecei por pesquisar sobre esses modelos trazidos pela linha psicológica Cognitivo-Comportamental.

O modelo mental dos indivíduos, que forma a estrutura básica da realidade subjetiva, é configurado pelas experiências físicas e afetivas. O sistema de crenças e valores funciona como um filtro perceptual, sendo utilizado pelo indivíduo na visão que faz do mundo. Por meio dos filtros perceptuais o indivíduo atribui significados aos eventos ambientais.

O modelo mental formado na socialização básica receberá influências dos processos de outras interações sociais, num processo, onde o sistema de crenças e valores será continuamente ampliado (ZANELLI, 2000).

Processo de Interação Humana
Processo de Interação Humana

Também chamado de “teoria-em-uso” por Senge (1998) e de “esquema mental” pela teoria da cognição social é o responsável pela formação das atitudes. O conceito de atitude era entendido por Lambert e Lambert (citados por GLEN, 1976) como sendo “uma maneira organizada e coerente de pensar, sentir e reagir a respeito de pessoas, grupos, questões sociais ou, mais geralmente, qualquer evento no meio ambiente do indivíduo”.

Autores como Katz e Stolland; Krech, Crutchfield e Ballockey; Smith, Bruner e White ( citados por RODRIGUES, ASSMAR e JABLONSKI, 1999; ATKINSON, ATKINSON, SMITH e outros, 2002), entendem o conceito de atitude como sendo a força motivadora da ação, uma pré-disposição ao comportamento, como decorrência de sentimentos prós ou contras pessoas e coisas com as quais entramos em contato em nossas experiências físicas e afetivas, compreendendo componentes cognitivos, afetivos e comportamentais. A atitude resulta do modelo mental e se situa na base do comportamento do indivíduo na sua condição de ser/estar no mundo.

Terminada essa colocação teórica, mudei um pouco minha visão sobre o assunto. Na verdade, alterei o ponto focal da discussão. Acredito que na realidade não importa muito onde (se é que algum dia será possível afirmar) a Mente está localizada, mas sim que nosso corpo como um todo através da Interpretação da Realidade (seja física ou afetiva) está diretamente relacionada com nossas atitudes e consequentemente em como vamos nos comportar.

Pensando dessa forma, é possível entender mais sobre como o Wii foi projetado. Para quase todos os jogos, não é preciso “reajustes significativos” em nosso Modelo Mental. A maneira como os jogos esperam que nos comportemos, na maioria das vezes, já fazem parte da nossa realidade social, cultura, crenças, etc. Dessa forma, sabemos quais atitudes e comportamentos adotar para as situações trazidas. Quando isso não ocorre, podemos citar o exemplo do filho do Fred, que não sabia como interagir com o jogo de Tênis.

No próximo Post trarei a visão teórica Psicanalítica dos “Modelos Mentais”.

Referências usadas neste Post:

ATKINSON, R. L., ATKINSON, R.C.; SMITH, E. E.; BEM, B. J. e NOLENHOECKSEMA, S. Introdução à Psicologia de Hilgard. Trad. Daniel Bueno. 13. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

GLEN, F. Psicologia social das organizações. Trad. Eduardo D’Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.

RODRIGUES, A.; ASSMAR, E. M. L.; JABLONSKI, B. Psicologia Social. 19. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.

SENGE, P. M. A quinta disciplina: arte e prática da organização de aprendizagem. 2. ed. São Paulo: Círculo do Livro, 1998.

ZANELLI, J. C. Interações humanas, significados compartilhados e aprendizagem organizacional. Curitiba: ENEO, 2000.

Pós Graduação – Design da Interação

Pós-graduação em Design da Interação
Pós-graduação em Design da Interação

Este final de semana comecei um curso de Pós-graduação em Design da Interação.

O Design de Interação é uma área dentro do Design que trata especificamente do projeto de artefatos interativos, ou seja, objetos que participam ativamente da ação humana. Como exemplo, podemos citar websites, softwares, telefones celulares e videogames. O Design de Interação pesquisa, cria e adapta estes artefatos para a interação humana.

O objetivo do curso é maximizar a apropriação da tecnologia no cotidiano das pessoas, contribuindo para seu desenvolvimento pessoal, cultural e econômico.

Para mais informações, acesse http://www.faberludens.com.br

Vamos ver qual é do curso, por enquanto, parece ser muito bom! Minha idéia ao fazer esse curso é  relacionar meus conhecimentos e experiências adquridas ao longo do curso de Psicologia e também meu trabalho em Recursos Humanos e  Tecnologia com como o Design pode influenciar a maneira de interagir com a tecnologia e porque não, até mudar e criar novos padrões de comportamento e pensamento.

Conforme formos avançando vou relatando aqui as minhas experiências e impressões. Em breve já vou postar algumas discussões que rolaram já nesse primeiro final de semana de aula.