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A Psicologia dos Relacionamentos na Internet
Quer você goste ou não, a internet se tornou uma nova maneira de relacionamento social. Pessoas estão encontrando amigos, colegas, namorados e também, inimigos pela internet.
Já escutei pessoas dizerem que o relacionamento na internet não é de fato real, ou seja, não é como no “mundo real”. Segundo elas, esses relacionamentos são apenas algo passageiro, uma fase pela qual as pessoas passam. Algumas, mais críticas, dizem que não se pode comparar com os relacionamentos reais e que se alguém prefere se comunicar através de um “mundo virtual”, alguma coisa deve estar errada. Essa pessoa deve estar depressiva, com baixa auto-estima ou com medo de encarar um relacionamento real.
Será que isso é verdade? Será que é verdade que relacionamentos “reais” são superiores às relações virtuais?

Novamente, lendo alguns artigos do psicólogo John Suler, do Departamento de Psicologia do Centro de Ciência e Tecnologia da Rider University, encontrei um interessante artigo abordando este assunto.
O artigo é de 1997, portanto, num tempo onde grande parte das tecnologias atualmente existentes ainda não estavam presentes. Orkut, Google, Yahoo, e derivados ainda nem sonhavam em existir. O MSN surgiria apenas em 1998. Mas mesmo assim, apesar da gigantesca evolução tecnológica de lá pra cá, é possível fazermos uma reflexão das diferenças e semelhanças que ainda continuam apesar de todos esses anos.
O autor inicia seu texto com algumas definições diferenciando conceitualmente relacionamentos reais de relacionamentos virtuais. Segundo Suler um “relacionamento real” seria aquele em que o contato físico entre duas pessoas esteja presente, chamado de “Relacionamento presencial” (in-person relationships).
Quanto ao “relacionamento virtual”é dada a definição para aquele relacionamento que é “mediada por computadores”, carregando um sentimento de lugar e interação espacial.
Uma maneira de compreender este fenômeno social e humano é examinando os vários meios pelos quais as pessoas se comunicam, se conectam e se identificam uns com os outros. A linguagem, por meio das palavras, seria a mais poderosa delas e, a partir disso, já se pode levantar alguns aspectos que colaboram para que relações virtuais tenham sucesso e até algumas vantagens sobre as presenciais:
1. A interação pode não ocorrer em tempo real, então, você pode responder ao seu parceiro no momento que você desejar e no tempo que você desejar. Isso te dá tempo para pensar sobre o que você realmente quer dizer e escrever sua resposta de maneira segura, revisando quantas vezes desejar antes de enviar a mensagem. Mesmo em comunicadores em tempo real essa vantagem ocorre, pois você não precisa responder imediatamente. É possível um tempo de reflexão ou fazer uma pesquisa se necessário. Essa estratégia de espera-revisa pode fazer maravilhas para evitar momentos embaraçosos, respostas impulsivas e arrependimentos.
2. O diálogo por escrita envolve mecanismos mentais diferentes de uma conversa falada. Pode refletir num estilo cognitivo distinto que possibilita algumas pessoas a serem mais expressivas, organizadas e mais criativas na maneira como elas se comunicam. Não é incomum encontrar pessoas que dizem que conseguem se expressar melhor nesse mundo da escrita.
3. As Relações mediadas por mensagens de texto possibilitam que você salve todas as suas interações em arquivos de texto. A qualquer momento é possível consultar as informações mais importantes do relacionamento, resgatar informações importantes de certos momentos da relação, reexaminar conflitos e desentendimentos. Esse tipo de reavaliação é as vezes mais complicado nas relações presenciais, onde quase sempre é preciso requisitar nossa própria memória.
4. Relacionamentos por textos tendem a resultar no que é chamado de “efeito da desinibição” causado pelo fato de as pessoas não poderem se ver ou se ouvir, as pessoas podem se abrir mais e dizer coisas que não diriam se estivessem cara-a-cara. Este efeito cria um ambiente onde a intimidade é acelerada.
As desvantagens surgem a partir da falta do face-a-face entre as pessoas. A impossibilidade de haver vozes, expressões faciais ou linguagens corporais limitam a fluência de um relacionamento.
Neste ponto, o autor diferencia os relacionamentos presenciais com os virtuais a partir de como as pessoas se conectam através dos cinco sentidos:
- ouvir atentamente (audição)
- ver para crer (visã0)
- posso te tocar? (tato)
- chegando ao ponto (olfato e paladar)
Ouvir atentamente (audição)
A voz humana é rica em significados e emoções. Pequenas variações na voz de uma pessoa podem causar suspiros ou raiva. Nos relacionamentos virtuais, este estímulo está ausente, porém, somos capazes de “criar” essas variações em nossas mentes interpretando o texto da maneira como desejarmos. Ao lermos uma conversa com alguém temos uma forte tendência a projetar (consciente ou inconscientemente) nossas próprias expectativas, desejos, ansiedade e medos naquilo que estamos lendo.
Ver para crer (visão)
Nossas expressões corporais e faciais também possuem uma linguagem repleta de significados e emoções. A ausência desse elemento pode tornar a relação ambígua e insegura. Por outro lado, alguns dizem que esta ambiguidade gera uma oportunidade para se explorar as reações da outra pessoa. Segundo o autor, outras vantagens de não se ver a outra pessoa seria que questões como idade, cor de pele, altura, aparência física ou qualquer outra coisa que influencie em ser “atrativo” ou não são irrelevantes.
Posso te tocar (tato)
O ser humano necessita o contato físico com outras pessoas. Crianças e bebês entram e depressão e podem morrer ser o toque de uma pessoa. A maneira como os pais interagem fisicamente com seus filhos se torna um dos pilares da identidade e do bem-estar. Este é, sem dúvidas, um dos maiores abismos entre os relacionamentos presenciais e os virtuais e sua falta é um dos principais motivos para o desgaste de um relacionamento virtual. O ato de tocar a outra pessoa cria elos entre os parceiros. Alguns defendem a idéia de que é possível o envolvimento psicológico e emocional através das palavras, mas é certo que provavelmente você nunca conseguirá abraçar a pessoa amada pela internet.
Chegando ao ponto (olfato e paladar)
Por último, mas não menos importante, vem o olfato e o paladar. O cheio é algo que aproxima muito uma pessoa da outra, sendo capaz de despertar poderosas reações emocionais. Pode-se dizer que o cheirar e o provar sejam sensações interpessoais muito primitivas, mas ambos são essenciais para uma intimidade profunda, talvez justamente por ser tão primitivos e fundamentais. Será que a tecnologia algum dia será capaz de reproduzir odores e sabores e transmiti-los essas sensações a outra pessoa que pode estar do outro lado do mundo?
Mais de uma década depois deste artigo escrito por Suler, podemos dizer que as barreiras da visão e audição estão praticamente extintas, uma vez que recursos em áudio e vídeo em tempo real e de boa qualidade já estão disponíveis e são de fácil acesso. Quanto aos outros sentidos, estes parecem ser um desafio e tanto para a tecnologia.
Por fim, uma crítica que faço tanto ao artigo de Suler quanto aos outros sobre relacionamentos que leio por aí é o fato de colocar o relacionamento virtual como um substituto do relacionamento presencial ou como se existisse uma competição entre eles. Não poderíamos encará-lo como uma ferramenta ou um “plus” e chamarmos relacionamento apenas e simplesmente de relacionamento?
Faço um comparativo com as cartas e telefones por exemplo. Na época em que esses serviços se tornaram disponíveis para as pessoas foi cogitado o que seria melhor? Um relacionamento por correspondências ou não?
Acredito que todas as pessoas têm necessidades. Uns precisam da presença diária do parceiro para que um relacionamento funcione, outros nem tanto. Tudo tem a ver com um equilíbrio entre as necessidades e satisfações de cada um. Nesse caso, pouco importa o meio, mas sim se no final as expectativas estão sendo correspondidas.
The human voice is rich in meaning and emotion. A sharp edge to someone’s words can rouse your suspicion or anger. Just the sound of a loved one’s voice can be enough to create feelings of comfort and joy. Singing – one of the most expressive of human activities – powerfully unites people. In CSR mediated by text only, both obvious and subtle nuances in voice pitch and volume are completely absent. And singing is impossible (unless you consider the mutual recitation of lyrics as singing… which some onliners do).
Advocates of text-driven CSR do have a comeback to this criticism. Lacking auditory and visual cues, the e-mail message, blog, or newsgroup post can be productively ambiguous in tone. When reading that typed message, there is a strong tendency to project – sometimes unconsciously – your own expectations, wishes, anxieties, and fears into what the person wrote. Psychoanalytic thinkers call this “transference.” Your distorting the person’s intended meaning could lead to misunderstandings and conflict. It could stimulate countertransference reactions from your online partner. On the other hand, if you discuss your (mis)perceptions with your friend, you are revealing underlying (perhaps unconscious) elements of how you think and feel. In a sense, you are being more real with the other person, allowing a deeper relationship to form. Of course, this more rich and meaningful relationship will only develop when people are mature enough to talk about and work through those projections and transferences with each other. Too often this may not be the case. The skeptics therefore reply that the disadvantage of ambiguity in text communication outweighs the possible advantage.
An entirely different comeback for cyberspace advocates is that one’s voice CAN be heard online. It’s only a matter of time before audio-streaming becomes perfected to the point where it matches the quality of IPR. In fact, conversing in cyberspace may have some distinct advantages. If you so desire, conversations easily could be saved and replayed – which isn’t possible in IPR, unless you’re carrying a tape recorder. Using software programs, nuances in voice pitch and volume can be examined more carefully for subtle emotions and meaning. Programs also could allow you to modify your voice as you transmit it. If you want to speak in the voice of Bill Clinton, Arnold Schwartzenegger, or Daffy Duck, so be it. Or you can add in any auditory special effect you desire in order to embellish your words – Pomp and Circumstance, explosions, quacks.
As we’ll see over and over again, a unique feature of CSR is the ability to use imagination and fantasy to shape the way in which you desire to present yourself. This can be a fascinating and revealing dimension to a relationship.
Advocates of CSR also will be quick to point out the creative keyboarding techniques that do allow onliners to simulate voice modulation, such as typing in caps to mimic SHOUTING. A poor substitute for the real thing, a skeptic will say.
Pacientes recorrem a psicólogo via web
A terapia online já é um tema antigo nas discussões nas universidades espalhadas por aí. Até pouco tempo atrás, repudiada por muitos. Porém, não tem mais como negar que a tecnologia está aí, disponível e ao acesso de todos. A questão agora deixa de ser se é certo ou errado, se pode ou não pode, mas sim, em como deve ser feita.

Pacientes começam a buscar terapia via web
Segue abaixo uma matéria que saiu sexta-feira na Folha de São Paulo sobre esse assunto.
Pacientes recorrem a psicólogo via web; prática divide especialistas
JULLIANE SILVEIRA
da Folha de S.Paulo
Cidades diferentes, dificuldade de locomoção, necessidade extrema de sigilo. São vários os motivos que têm levado pacientes em todo o mundo a buscar orientação psicológica ou psicoterapia pela internet -tanto em bate-papos virtuais por programas como Skype ou MSN Messenger quanto por e-mail, com ou sem webcam.
Diversos estudos internacionais buscam entender os efeitos da psicoterapia à distância, como um trabalho realizado com 297 pacientes britânicos, divulgado em agosto numa edição especial sobre saúde mental da revista “Lancet”.
Constatou-se que a terapia cognitivo-comportamental via internet é mais efetiva para tratar depressão do que uma simples consulta com clínico-geral, desde que realizada em tempo real (em conversas virtuais). Isso mostra que o acompanhamento psicológico pela internet pode surtir efeito.
A cirurgiã Adriana Brasil Moreira, 37, aprova a técnica. Ela morava no Rio de Janeiro e fez acompanhamento psicológico durante um ano com uma especialista com quem adquiriu muita afinidade. Ela teve de se mudar para Piracicaba, no interior de São Paulo.
“Queria continuar fazendo terapia, mas não confiava em mais ninguém. Sou médica e sei o quanto qualquer tipo de intervenção é séria, principalmente a psicológica. Além disso, meus horários são muito fora do comum, tenho pouco tempo livre”, diz. Ela propôs à especialista carioca que continuassem a terapia por meio de webcam, uma vez por semana, durante uma hora.
Há cerca de dois anos, Adriana faz terapia pela internet e obteve bons resultados. “Foi muito importante. Não é igual, mas temos o mesmo ritmo de pensamento e conseguimos nos adaptar de uma forma perfeita, porque foi a única opção que me restou. Foi melhor do que fazer com alguém com quem eu não me identificasse. Quando existe resultado num tipo de tratamento, vale a pena adaptar a forma em prol do conteúdo. Em vez de mudar o terapeuta, mudei a forma”, diz.
O acompanhamento pela internet em casos de mudança de cidade tem ocorrido com frequência. Em alguns casos, o paciente segue com o psicólogo antigo até encontrar outro especialista na nova localidade. Em outros, decide continuar o tratamento por falta de opção -o que ocorre porque está em um país onde não compreende muito bem a língua ou quando não encontra um terapeuta em quem confie.
No entanto, o CFP (Conselho Federal de Psicologia) limita a prática no país e autoriza somente o que define como orientação psicológica. “Não existe nenhuma regulamentação sobre isso [continuar o acompanhamento a distância]. Se o paciente sofre um transtorno grave e surta e o profissional não está no local, ele tem de responder eticamente por isso. Resolver uma questão pontual com a ajuda do e-mail é uma coisa, fazer o tratamento é outra”, alerta Andréia Nascimento, conselheira do CFP.
Enquanto a terapia tem tempo indeterminado e trabalha diversas questões relacionadas à vida do paciente, a orientação visa ajudá-lo a resolver um problema pontual, como a escolha da profissão que quer seguir ou alguma dificuldade sexual específica, entre outras questões.
De acordo com o CFP, não existem pesquisas brasileiras que mostrem resultados satisfatórios da prática a longo prazo. “Não podemos afirmar que uma coisa que é boa no Japão vai ser boa aqui. Então, é preciso que sejam feitas pesquisas aqui. Enquanto fica apenas no que pensam os psicólogos, não podemos fazer nada”, afirma Nascimento.
A psicoterapia pela internet só é autorizada no país para a realização de pesquisas. Nesse caso, o pesquisador precisa registrar seu projeto junto ao Conselho Nacional de Saúde, que deverá aprovar o trabalho.
O conselho tem a mesma opinião sobre o acompanhamento psicológico por telefone, prática também utilizada por alguns especialistas. “Não está na lei, mas isso não quer dizer que pode fazer. É preciso que o profissional se embase cientificamente, procure o conselho regional para saber se é possível ou não fazer”, diz Nascimento.
Alguns grupos buscam estudar e definir as diferenças entre a orientação psicológica e a psicoterapia e defendem que, se em algum momento a psicoterapia via internet for aprovada no Brasil, deverão ser desenvolvidas novas técnicas e formas de trabalho, diferentes da maneira como a psicoterapia convencional é conduzida hoje.
“Existe uma tendência mundial de que a tecnologia seja usada de formas úteis e criativas. Acredito que seja preciso criar novas formas de intervenções terapêuticas -um método de trabalho de caráter terapêutico diferente da psicoterapia como conhecemos hoje. Não é apenas transpor a terapia convencional para a internet, mas sim estudar como seria a terapia mediada por essa via”, afirma Rosa Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.
Link da reportagem: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u621960.shtml
Efeito da desinibição online
A segurança na internet é um tema em desenvolvimento com várias discussões nas mais diversas áreas. Encontramos facilmente artigos que vão desde a segurança tecnológica dos sites até sobre temas educacionais. No entanto, ainda são poucos os estudos que visam entender a Psicologia na internet.
A procura de mais artigos para meu Blog deparei-me com um artigo sobre um fenômeno chamado “Efeito da desinibição online” – The Online Disinhibition Effect – proposto pelo psicólogo John Suler, do Departamento de Psicologia do Centro de Ciência e Tecnologia da Rider University.

Segundo o pesquisador, este efeito possui dois lados. Algumas vezes as pessoas dividem informações e sentimentos muito pessoais, revelam segredos, emoções, medos e desejos e demonstrações de bondade e generosidade incomuns. Esse efeito pode ser chamado de desinibição benigna caso esteja auxiliando a pessoa a se expressar melhor.
Por outro lado, o efeito da desinibição pode não ser tão benigno assim quando utilizado para a divulgação de racismos, preconceitos, roubos, pornografia e violência através de espaços que a internet proporciona que não seriam visitados no mundo real. Dessa forma, o efeito é chamado de desnibição tóxica.
No lado positivo, a desinibição indica uma tentativa de entender e explorar a nós mesmos, trabalhando nossos problemas e encontrando novas maneiras de ser. Já as desinibições tóxicas, algumas vezes, representam uma espécie de catarse, uma forma de realização de desejos proibidos.
Mas o que causa essa desinibição? O que há na internet que consegue romper com essa barreira psicológica que bloqueia essas vontades e sentimentos tão íntimos? Segundo Suler, são vários os fatores envolvidos e na maioria das vezes estes fatores estão interagindo um com os outros, resultando em um efeito mais complexo e amplo.
Você não me conhece (anonimato/dissociação)
A maioria das pessoas com as quais você cruza pela internet não consegue facilmente dizer quem é você. Obviamente que existem maneiras de se identificar um determinado usuário na internet, mas para a grande maioria dos usuários você é o que você diz ser. Quando as pessoas têm a oportunidade de separar suas ações do seu mundo real e ainda preservando suas identidades, elas se sentem menos vulneráveis.
Ao expressar um sentimento hostil, por exemplo, a pessoa não precisa assumir a responsabilidade por essa ação. Na verdade, algumas pessoas nem mesmo reconhecem esses comportamentos como sendo “delas mesmas”. Na psicologia isso é chamado de “dissociação”.
Você não pode me ver (invisibilidade)
A oportunidade de ser fisicamente invisível aumenta o efeito da desinibição. O fato de não haver um contato físico (principalmente visual) numa conversa de texto entre você e outra pessoa na internet faz com que você se preocupe menos em dizer certas coisas. Suler explica que podemos perceber esse fator quando a pergunta “Você falaria isso na cara dessa pessoa?” for negativa.
Te vejo mais tarde (assincronicidade)
O fato de não precisarmos lidar com a reação imediata de uma pessoa pode ser desinibidora. Algumas vezes esse efeito pode ser comparado com um “bater e correr emocional”, de acordo com Suler. Poder considerar como as pessoas provavelmente irão reagir a alguma coisa mais de uma vez nos ajuda a desenvolver uma habilidade de prever suas respostas e, assim, criar uma empatia com elas.
Está tudo na minha cabeça (introjeção solipicista)
Quando estamos concentrado em um bate-papo na internet geralmente “escutamos” a conversação em nossa mente e “sub-vocalizamos” o que estamos lendo. Conseguimos inclusive interpretar o tom de voz e escutar o que está sendo dito da maneira como gostaríamos que estivesse sendo dito.
É apenas um jogo (imaginação dissociativa)
Neste cenário, as pessoas lidam com a interação com outras pessoas como sendo uma dimensão “faz-de-conta”, totalmente separada das demandas e responsabilidades mundanas. Elas acreditam que podem sair a qualquer momento deste jogo, deixando inclusive essa identidade fictícia para trás.
Somos todos iguais (autoridade minimizada)
A internet proporciona um sentimento de igualdade que nos encoraja a dizer o que pensamos de forma a minimizar as relações de poder que podem existir entre as pessoas presencialmente. Esse fator, também contribui para o efeito da desinibição online.
It’s well known that people say and do things in cyberspace that they wouldn’t ordinarily say or do in the face-to-face world. They loosen up, feel more uninhibited, express themselves more openly. Researchers call this the “disinhibition effect.” It’s a double-edged sword. Sometimes people share very personal things about themselves. They reveal secret emotions, fears, wishes. Or they show unusual acts of kindness and generosity. We may call this benign disinhibition.
On the other hand, the disinhibition effect may not be so benign. Out spills rude language and harsh criticisms, anger, hatred, even threats. Or people explore the dark underworld of the internet, places of pornography and violence, places they would never visit in the real world. We might call this toxic disinhibition.
On the benign side, the disinhibition indicates an attempt to understand and explore oneself, to work through problems and find new ways of being. And sometimes, in toxic disinhibition, it is simply a blind catharsis, an acting out of unsavory needs and wishes without any personal growth at all.
What causes this online disinhibition? What is it about cyberspace that loosens the psychological barriers that block the release of these inner feelings and needs? Several factors are at play. For some people, one or two of them produces the lion’s share of the disinhibition effect. In most cases, though, these factors interact with each other, supplement each other, resulting in a more complex, amplified effect.
A Psicologia e a Internet
Com o surgir dos computadores e, especialmente, da internet, uma nova dimensão de experiências humanas está rapidamente surgindo. Termos como “mundo virtual”, “ciberespaço”, entre outros, tem sido mencionados cada vez mais.
Essas novas experiências criadas podem ser entendidas como “espaços” psicológicos. Quando alguém liga um computador, inicia um programa, escreve um email, ou acessa algum de seus serviços online, os usuários têm a sensação de estarem entrando, consciente ou inconscientemente, num “lugar” ou “espaço” que é composto por uma série de significados e sentidos. Observa-se isso nas descrições que os usuários fazem ao acessar uma página na internet, como estarem “navegando” ou “indo a algum lugar”. Ou seja, metáforas como “mundo”, “domínios”, “salas”, “estar em”, “dentro de” são comumente associadas à atividades da internet.

Foto: Maria da Silva - Percepção e Realidade
Em um nível psicológico mais profundo, alguns usuários descrevem como seus computadores são extensões de sua mente e personalidade. Como um “espaço” que reflete seus gostos, atitudes e interesses. Trazendo alguns termos psicanalíticos, computadores e a internet se tornam uma espécie de “espaço transicional”.
Espaço transicional é o espaço criado pela atualização do espaço potencial, aquele que Winnicott diz existir entre o bebê e a mãe na época da dependência absoluta. Nessa época, marcada pela fusão, não existe qualquer espaço psicológico separando o bebê da sua mãe. No espaço potencial irão sendo colocados “objetos” (experiências do bebê), e mais tarde objetos concretos, que o bebê virá a possuir, e é assim que no espaço potencial cria-se o espaço transicional.
A partir de Kant, e com a colaboração final de Lacan, sabemos que não existe uma REALIDADE da qual se possa ter certeza, pois o REAL (a coisa em si) está fora do campo da percepção. De acordo com Lacan, existe, então, duas maneiras de compreender o “real”: o simbólico, esse território onde tudo é possível mas nada é certo, e o imaginário, onde muita coisa é certa mas quase nada é possível.
“O que percebemos objetivamente não se chama “realidade”, mas “realidade compartilhada”, ou seja, aquilo sobre o qual duas ou mais pessoas concordam que “é verdade”.”
- Winnicott
Na linguagem de Winnicott, esses dois territórios equivalem às coisas que percebemos objetivamente, em contraste com as coisas que concebemos subjetivamente. Pois para Winnicott o que percebemos objetivamente não se chama “realidade”, mas “realidade compartilhada”, ou seja, aquilo sobre o qual duas ou mais pessoas concordam que “é verdade”, e quanto mais pessoas concordarem a respeito, mais “verdadeira” é a coisa percebida. Exemplo: muitas coisas são verdadeiras para um povo, enquanto outro as acha inteiramente disparatadas. E nos partidos políticos, assim como nos torcedores de clubes esportivos, vemos “realidades compartilhadas” que só são compartilhadas por eles mesmos, sendo inteiramente desacreditadas pelos demais.
A “realidade compartilhada” tem, em sua periferia, uma ampla região onde a qualidade de “verdadeiro” é muitíssimo escassa, vigorando ali mais o que duas ou mais pessoas estão de acordo sobre determinado fenômeno, do que a possibilidade de ele ser captado por instrumentos físicos de registro, tais como uma máquina fotográfica. A inexistência de uma fronteira nítida entre a “realidade” e a “ilusão”, portanto, é um dos elementos centrais para a compreensão do problema da percepção humana.
Modernidade Líquida

Livro Modernidade Líquida
No livro Modernidade Líquida, o sociólogo Zygmunt Bauman, fala sobre as transformações sociais pelas quais passa nossa sociedade nas esferas pública, privada, relacionamentos humanos, mundo do trabalho, estado e instituições sociais. Bauman utiliza a metáfora da liquefação para demonstrar as conseqüências que essa transformação social está trazendo para os relacionamentos entre as pessoas.
Segundo ele, a solidez das instituições sociais, como por exemplo a família, o governo, as relações de trabalho, está perdendo espaço para o fenômeno de liquefação. De acordo com essa metáfora, a solidez dessas instituições, firmes e inabaláveis, estão se derretendo, transformando-se, irreversivelmente, num estado liquido.
Este estado líquido tem como característica principal a capacidade de moldar-se em relação as mais diversas estruturas. Neste tempo de transformações no relacionamento humano, os laços afetivos e sociais acabam se tornando o centro da questão e a liquefação dessas antes solidas instituições evidenciam um tempo de desapego e uma suposta sensação provisória de liberdade que, na verdade, traz consigo um desapego social em que nós, indivíduos moderno-líquidos, nos encontramos.
O autor usa o termo individuo para alertar-nos do crescente processo de individualização pela qual nossa sociedade está passando. Existe um desprendimento de pertencermos em alguma rede social. A cultura do Eu sobrepõe-se à do Nós e o relacionamento eu-outro ganha características mercantis, em que os vínculos entre as pessoas tem a possibilidade de serem desfeitos a qualquer momento. Esse tipo de relacionamento volátil (liquido) traz uma sensação de leveza e descompromisso, sendo associada à uma liberdade individual.

Sociedade liquefeita
Porém, essa mesma liberdade individual vem provocando uma série de queixas psicológicas que parecem fazer parte dessa liquidez, como depressão, sensação de solidão, isolamento e desamparo no plano individual. No âmbito social gera-se uma situação de desterritorialização. Fronteiras culturais, territoriais, lingüísticos praticamente deixaram de existir. Pertencemos ao mundo, mas até onde o mundo nos pertence?
Na modernidade líquida não há compromisso com a idéia de permanência e durabilidade. Entre a possibilidade do desprendimento fluido como modo de vida e a imposição do mesmo para a imensa maioria, há um vácuo entre a liberdade e a incerteza, a emancipação e o total desamparo social e individual.
