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Efeito da desinibição online

A segurança na internet é um tema em desenvolvimento com várias discussões nas mais diversas áreas. Encontramos facilmente artigos que vão desde a segurança tecnológica dos sites até sobre temas educacionais. No entanto, ainda são poucos os estudos que visam entender a Psicologia na internet.

A procura de mais artigos para meu Blog deparei-me com um artigo sobre um fenômeno chamado “Efeito da desinibição online” – The Online Disinhibition Effect – proposto pelo psicólogo John Suler, do Departamento de Psicologia do Centro de Ciência e Tecnologia da Rider University.

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Segundo o pesquisador, este efeito possui dois lados. Algumas vezes as pessoas dividem informações e sentimentos muito pessoais, revelam segredos, emoções, medos e desejos e demonstrações de bondade e generosidade incomuns. Esse efeito pode ser chamado de desinibição benigna caso esteja auxiliando a pessoa a se expressar melhor.

Por outro lado, o efeito da desinibição pode não ser tão benigno assim quando utilizado para a divulgação de racismos, preconceitos, roubos, pornografia e violência através de espaços que a internet proporciona que não seriam visitados no mundo real. Dessa forma, o efeito é chamado de desnibição tóxica.

No lado positivo, a desinibição indica uma tentativa de entender e explorar a nós mesmos, trabalhando nossos problemas e encontrando novas maneiras de ser. Já as desinibições tóxicas, algumas vezes, representam uma espécie de catarse, uma forma de realização de desejos proibidos.

Mas o que causa essa desinibição? O que há na internet que consegue romper com essa barreira psicológica que bloqueia essas vontades e sentimentos tão íntimos? Segundo Suler, são vários os fatores envolvidos e na maioria das vezes estes fatores estão interagindo um com os outros, resultando em um efeito mais complexo e amplo.

Você não me conhece (anonimato/dissociação)

A maioria das pessoas com as quais você cruza pela internet não consegue facilmente dizer quem é você. Obviamente que existem maneiras de se identificar um determinado usuário na internet, mas para a grande maioria dos usuários você é o que você diz ser. Quando as pessoas têm a oportunidade de separar suas ações do seu mundo real e ainda preservando suas identidades, elas se sentem menos vulneráveis.

Ao expressar um sentimento hostil, por exemplo, a pessoa não precisa assumir a responsabilidade por essa ação. Na verdade, algumas pessoas nem mesmo reconhecem esses comportamentos como sendo “delas mesmas”. Na psicologia isso é chamado de “dissociação”.

Você não pode me ver (invisibilidade)

A oportunidade de ser fisicamente invisível aumenta o efeito da desinibição. O fato de não haver um contato físico (principalmente visual) numa conversa de texto entre você e outra pessoa na internet faz com que você se preocupe menos em dizer certas coisas. Suler explica  que podemos perceber esse fator quando a pergunta “Você falaria isso na cara dessa pessoa?” for negativa.

Te vejo mais tarde (assincronicidade)

O fato de não precisarmos lidar com a reação imediata de uma pessoa pode ser desinibidora. Algumas vezes esse efeito pode ser comparado com um “bater e correr emocional”, de acordo com Suler. Poder considerar como as pessoas provavelmente irão reagir a alguma coisa mais de uma vez nos ajuda a desenvolver uma habilidade de prever suas respostas e, assim, criar uma empatia com elas.

Está tudo na minha cabeça (introjeção solipicista)

Quando estamos concentrado em um bate-papo na internet geralmente “escutamos” a conversação em nossa mente e “sub-vocalizamos” o que estamos lendo. Conseguimos inclusive interpretar o tom de voz e escutar o que está sendo dito da maneira como gostaríamos que estivesse sendo dito.

É apenas um jogo (imaginação dissociativa)

Neste cenário, as pessoas lidam com a interação com outras pessoas como sendo uma dimensão “faz-de-conta”, totalmente separada das demandas e responsabilidades mundanas. Elas acreditam que podem sair a qualquer momento deste jogo, deixando inclusive essa identidade fictícia para trás.

Somos todos iguais (autoridade minimizada)

A internet proporciona um sentimento de igualdade que nos encoraja a dizer o que pensamos de forma a minimizar as relações de poder que podem existir entre as pessoas presencialmente. Esse fator, também contribui para o efeito da desinibição online.

It’s well known that people say and do things in cyberspace that they wouldn’t ordinarily say or do in the face-to-face world. They loosen up, feel more uninhibited, express themselves more openly. Researchers call this the “disinhibition effect.” It’s a double-edged sword. Sometimes people share very personal things about themselves. They reveal secret emotions, fears, wishes. Or they show unusual acts of kindness and generosity. We may call this benign disinhibition.

On the other hand, the disinhibition effect may not be so benign. Out spills rude language and harsh criticisms, anger, hatred, even threats. Or people explore the dark underworld of the internet, places of pornography and violence, places they would never visit in the real world. We might call this toxic disinhibition.

On the benign side, the disinhibition indicates an attempt to understand and explore oneself, to work through problems and find new ways of being. And sometimes, in toxic disinhibition, it is simply a blind catharsis, an acting out of unsavory needs and wishes without any personal growth at all.

What causes this online disinhibition? What is it about cyberspace that loosens the psychological barriers that block the release of these inner feelings and needs? Several factors are at play. For some people, one or two of them produces the lion’s share of the disinhibition effect. In most cases, though, these factors interact with each other, supplement each other, resulting in a more complex, amplified effect.

Modernidade Líquida

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Livro Modernidade Líquida

No livro Modernidade Líquida, o sociólogo Zygmunt Bauman, fala sobre as transformações sociais pelas quais passa nossa sociedade nas esferas pública, privada, relacionamentos humanos, mundo do trabalho, estado e instituições sociais. Bauman utiliza a metáfora da liquefação para demonstrar as conseqüências que essa transformação social está trazendo para os relacionamentos entre as pessoas.

Segundo ele, a solidez das instituições sociais, como por exemplo a família, o governo, as relações de trabalho, está perdendo espaço para o fenômeno de liquefação. De acordo com essa metáfora, a solidez dessas instituições, firmes e inabaláveis, estão se derretendo, transformando-se, irreversivelmente, num estado liquido.

Este estado líquido tem como característica principal a capacidade de moldar-se em relação as mais diversas estruturas. Neste tempo de transformações no relacionamento humano, os laços afetivos e sociais acabam se tornando o centro da questão e a liquefação dessas antes solidas instituições evidenciam um tempo de desapego e uma suposta sensação provisória de liberdade que, na verdade, traz consigo um desapego social em que nós, indivíduos moderno-líquidos, nos encontramos.

O autor usa o termo individuo para alertar-nos do crescente processo de individualização pela qual nossa sociedade está passando. Existe um desprendimento de pertencermos em alguma rede social. A cultura do Eu sobrepõe-se à do Nós e o relacionamento eu-outro ganha características mercantis, em que os vínculos entre as pessoas tem a possibilidade de serem desfeitos a qualquer momento. Esse tipo de relacionamento volátil (liquido) traz uma sensação de leveza e descompromisso, sendo associada à uma liberdade individual.

Sociedade liquefeita

Sociedade liquefeita

Porém, essa mesma liberdade individual vem provocando uma série de queixas psicológicas que parecem fazer parte dessa liquidez, como depressão, sensação de solidão, isolamento e desamparo no plano individual. No âmbito social gera-se uma situação de desterritorialização. Fronteiras culturais, territoriais, lingüísticos praticamente deixaram de existir. Pertencemos ao mundo, mas até onde o mundo nos pertence?

Na modernidade líquida não há compromisso com a idéia de permanência e durabilidade. Entre a possibilidade do desprendimento fluido como modo de vida e a imposição do mesmo para a imensa maioria, há um vácuo entre a liberdade e a incerteza, a emancipação e o total desamparo social e individual.

Identidade na era da www

man_computerNavegando hoje pela internet me deparei com esse texto bem interessante!

Comecei a ler recentemente o livro Modernidade Líquida e realmente vale a pena! Este texto conseguiu expressar um pouco do que estou pensando, até agora, sobre essa nova lógica espaço-tempo que a tecnologia e a informação instantânea tem provocado. E aí? Vocês concordam?

A Identidade na era da www

As velocidades nessa pós-modernidade estão de tal forma aceleradas que uma das palavras mais conhecidas pelos internautas de todo o mundo não tem mais de dez anos, é o nome do mecanismo de busca Google. O termo Google foi criado em 1998 por Larry Page e Sergey Brin a partir de uma variação, por motivo de registro de marca, do termo matemático googol. Este termo matemático também é recente e foi criado na década de 1940 por Milton Sirota, atendendo a um pedido de seu tio o matemático Edward Kasner, na época também cunhou o termo googolplex. Com aproximadamente seis anos de existência Google virou verbo e em alguns países utilizam to google com o significado de pesquisar na internet.

A inter-relação homem-internet apresenta algumas peculiaridades como o hábito com a velocidade de resposta (feedback) e que acabam por refletir em outras instâncias da vida cotidiana. No próprio resultado de uma busca já se nota uma certa tendência nos relatos dos internautas, sobretudo dos jovens, que compreende uma certa impaciência e falta de perseverança frente a frustração de não encontrar imediatamente algo. E, esta tendência se desdobra numa crença sobre o mundo virtual: se não está na internet não existe no mundo. Uma perigosa inversão na qual a existência de uma página é tida como prova de realidade.

Neste mundo em que os significados mudam em grande velocidade têm-se alguns aspectos. Como vantagem a ampliação dos recursos reflexivos devido à velocidade de transmissão de informações, que age como se os espaços ficassem menores. Esta vinculação espaço-tempo cria uma lógica que pode ser expressa como: se rápido logo perto. A desvantagem, dentre outras, está na criação da ilusão: se demorou já passou ou não existe mais. Estas condições propiciam um contínuo confronto e nesses a idéia de identidade, que não se permite mais ser associada à estabilidade. As velocidades, se comparadas às da década de 1980, são de tal monta superiores que deixam uma impressão que mesmo as experiências mais recentes já são parte de um passado. As lógicas subjacentes às expressões instantaneidade e a descartabilidade, até então da área mercadológica, invadiram outras instâncias do cotidiano e tornaram os elementos mais efêmeros, descontínuos e de aparência enganosa, inclusive os sentimentos. (BAUMAN, 2001; SOAR FILHO, 2005).

As indiscutíveis virtudes da virtualidade possuem algumas características interessantes e como exemplo cito um fato interessante, do início deste século XXI, em que um comunicado de resultados, do presidente de uma corporação ligada a internet, continha um tempo verbal inadequado e em questão algumas horas todas as bolsas do mundo registraram uma forte queda. Disse ele: ” … os resultados poderiam ser melhores …”. Não houve análise de quão bons foram, não houve comparação alguma, o caos estava instalado! Este fato que nos remete a pensar na famosa frase de Marx “tudo que é sólido desmancha no ar” e também nos permite uma adaptação para a volatilidade desse mundo internáutico: “tudo que é insólito sublima no virtual“.

Referências bibliográficas

AMERICAN Heritage Dictionary.  v. 3.5, California: Softkey, 1994. (CD-ROM)

BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

LÉVY, Pierre.  As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática.  Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.

SOAR FILHO, Ercy.  Para que terapia?: estudo interdisciplinar sobre o self contemporâneo.   Florianópolis, 2005. Tese (Doutorado Interdisciplinar), Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas.

*Fonte: http://www.awmueller.com

Modelo Mental – Onde está a mente?

Na primeira aula do curso da Pós, após experimentarmos um pouco o modelo de jogo do Nintendo Wii, iniciamos um debate sobre Modelos Mentais. Nosso professor Fred, do blog Usabilidoido, nos questionou sobre a localização da mente. Estaria ela no nosso cérebro? Poderia estar também “espalhada” pelo corpo?

A questão gerou certa polêmica e todos trouxeram pensamentos interessantes, no entanto, senti um pouco a falta de teorias (afinal de contas, psicólogo que é psicólogo adora teorias). Comecei por pesquisar sobre esses modelos trazidos pela linha psicológica Cognitivo-Comportamental.

O modelo mental dos indivíduos, que forma a estrutura básica da realidade subjetiva, é configurado pelas experiências físicas e afetivas. O sistema de crenças e valores funciona como um filtro perceptual, sendo utilizado pelo indivíduo na visão que faz do mundo. Por meio dos filtros perceptuais o indivíduo atribui significados aos eventos ambientais.

O modelo mental formado na socialização básica receberá influências dos processos de outras interações sociais, num processo, onde o sistema de crenças e valores será continuamente ampliado (ZANELLI, 2000).

Processo de Interação Humana
Processo de Interação Humana

Também chamado de “teoria-em-uso” por Senge (1998) e de “esquema mental” pela teoria da cognição social é o responsável pela formação das atitudes. O conceito de atitude era entendido por Lambert e Lambert (citados por GLEN, 1976) como sendo “uma maneira organizada e coerente de pensar, sentir e reagir a respeito de pessoas, grupos, questões sociais ou, mais geralmente, qualquer evento no meio ambiente do indivíduo”.

Autores como Katz e Stolland; Krech, Crutchfield e Ballockey; Smith, Bruner e White ( citados por RODRIGUES, ASSMAR e JABLONSKI, 1999; ATKINSON, ATKINSON, SMITH e outros, 2002), entendem o conceito de atitude como sendo a força motivadora da ação, uma pré-disposição ao comportamento, como decorrência de sentimentos prós ou contras pessoas e coisas com as quais entramos em contato em nossas experiências físicas e afetivas, compreendendo componentes cognitivos, afetivos e comportamentais. A atitude resulta do modelo mental e se situa na base do comportamento do indivíduo na sua condição de ser/estar no mundo.

Terminada essa colocação teórica, mudei um pouco minha visão sobre o assunto. Na verdade, alterei o ponto focal da discussão. Acredito que na realidade não importa muito onde (se é que algum dia será possível afirmar) a Mente está localizada, mas sim que nosso corpo como um todo através da Interpretação da Realidade (seja física ou afetiva) está diretamente relacionada com nossas atitudes e consequentemente em como vamos nos comportar.

Pensando dessa forma, é possível entender mais sobre como o Wii foi projetado. Para quase todos os jogos, não é preciso “reajustes significativos” em nosso Modelo Mental. A maneira como os jogos esperam que nos comportemos, na maioria das vezes, já fazem parte da nossa realidade social, cultura, crenças, etc. Dessa forma, sabemos quais atitudes e comportamentos adotar para as situações trazidas. Quando isso não ocorre, podemos citar o exemplo do filho do Fred, que não sabia como interagir com o jogo de Tênis.

No próximo Post trarei a visão teórica Psicanalítica dos “Modelos Mentais”.

Referências usadas neste Post:

ATKINSON, R. L., ATKINSON, R.C.; SMITH, E. E.; BEM, B. J. e NOLENHOECKSEMA, S. Introdução à Psicologia de Hilgard. Trad. Daniel Bueno. 13. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

GLEN, F. Psicologia social das organizações. Trad. Eduardo D’Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.

RODRIGUES, A.; ASSMAR, E. M. L.; JABLONSKI, B. Psicologia Social. 19. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.

SENGE, P. M. A quinta disciplina: arte e prática da organização de aprendizagem. 2. ed. São Paulo: Círculo do Livro, 1998.

ZANELLI, J. C. Interações humanas, significados compartilhados e aprendizagem organizacional. Curitiba: ENEO, 2000.