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	<title>Psicologia Digital</title>
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	<description>A Psicologia frente ao desenvolvimento da mídia e da tecnologia</description>
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		<title>Psicologia Digital na Marie Claire Online</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Jun 2010 01:48:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Semana passada tive uma notícia bem legal. Carla Zeglio, psicoterapeuta e colaboradora da revista Marie Claire Online visitou meu blog e o indicou em uma de suas matérias do site da revista. Com isso, praticamente dobrou o número de visitantes nesse site e minha motivação por dar mais atenção a ele também. Abaixo segue o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-257 aligncenter" title="Marie Claire" src="http://www.psicologiadigital.com/wp-content/uploads/2010/06/marieclaire-300x56.jpg" alt="Marie Claire" width="363" height="67" /></p>
<p>Semana passada tive uma notícia bem legal. Carla Zeglio, psicoterapeuta e colaboradora da revista Marie Claire Online visitou meu blog e o indicou em uma de suas matérias do site da revista.</p>
<p>Com isso, praticamente dobrou o número de visitantes nesse site e minha motivação por dar mais atenção a ele também.</p>
<p>Abaixo segue o link para a o artigo:</p>
<p><a href="http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI142473-17614,00.html" target="_blank">http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI142473-17614,00.html</a></p>
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		<title>Retomando</title>
		<link>http://www.psicologiadigital.com/2010/05/20/retomando/</link>
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		<pubDate>Thu, 20 May 2010 14:59:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá pessoal. Após um longo período sem postar nada de novo aqui no blog devido a diversas mudanças que aconteceram na minha vida pessoal e profissional nos últimos meses, estou retomando as atividades deste site e preparando novos artigos! Apesar do abandono, fico muito feliz em ver que ainda recebo muitas visitas e alguns comentários [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá pessoal.</p>
<div class="mceTemp">
<dl class="wp-caption alignright" style="width: 216px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img title="Retornando" src="http://nofimdascontas.files.wordpress.com/2009/10/viagem-mochileiro-2.jpg" alt="Retornando" width="206" height="154" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd"></dd>
</dl>
</div>
<p>Após um longo período sem postar nada de novo aqui no blog devido a diversas mudanças que aconteceram na minha vida pessoal e profissional nos últimos meses, estou retomando as atividades deste site e preparando novos artigos!</p>
<p>Apesar do abandono, fico muito feliz em ver que ainda recebo muitas visitas e alguns comentários sobre o que já publiquei por aqui.</p>
<p>Espero conseguir continuar contando com o apoio de todos!!</p>
<p>Até logo!</p>
<p>Thiago</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A Psicologia dos Relacionamentos na Internet</title>
		<link>http://www.psicologiadigital.com/2009/09/13/a-psicologia-dos-relacionamentos-na-internet/</link>
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		<pubDate>Sun, 13 Sep 2009 23:24:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Efeito da desinibição]]></category>
		<category><![CDATA[Identidade]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>

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		<description><![CDATA[Quer você goste ou não, a internet se tornou uma nova maneira de relacionamento social. Pessoas estão encontrando amigos, colegas, namorados e também, inimigos pela internet. Já escutei pessoas dizerem que o relacionamento na internet não é de fato real, ou seja, não é como no &#8220;mundo real&#8221;. Segundo elas, esses relacionamentos são apenas algo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quer você goste ou não, a internet se tornou uma nova maneira de relacionamento social. Pessoas estão encontrando amigos, colegas, namorados e também, inimigos pela internet.</p>
<p>Já escutei pessoas dizerem que o relacionamento na internet não é de fato real, ou seja, não é como no &#8220;mundo real&#8221;. Segundo elas, esses relacionamentos são apenas algo passageiro, uma fase pela qual as pessoas passam. Algumas, mais críticas, dizem que não se pode comparar com os relacionamentos reais e que se alguém prefere se comunicar através de um &#8220;mundo virtual&#8221;, alguma coisa deve estar errada. Essa pessoa deve estar depressiva, com baixa auto-estima ou com medo de encarar um relacionamento real.</p>
<p>Será que isso é verdade? Será que é verdade que relacionamentos &#8220;reais&#8221; são superiores às relações virtuais?</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-181" title="relacionamento" src="http://psicologiadigital.tempsite.ws/wp/wp-content/uploads/2009/09/casal.jpg" alt="relacionamento" width="270" height="169" /></p>
<p>Novamente, lendo alguns artigos do psicólogo John Suler, do Departamento de Psicologia do Centro de Ciência e Tecnologia da Rider University, encontrei um interessante artigo abordando este assunto.</p>
<p>O artigo é de 1997, portanto, num tempo onde grande parte das tecnologias atualmente existentes ainda não estavam presentes. Orkut, Google, Yahoo, e derivados ainda nem sonhavam em existir. O MSN surgiria apenas em 1998. Mas mesmo assim, apesar da gigantesca evolução tecnológica de lá pra cá, é possível fazermos uma reflexão das diferenças e semelhanças que ainda continuam apesar de todos esses anos.</p>
<p><span id="more-171"></span>O autor inicia seu texto com algumas definições diferenciando conceitualmente relacionamentos reais de relacionamentos virtuais. Segundo Suler um &#8220;relacionamento real&#8221; seria aquele em que o contato físico entre duas pessoas esteja presente, chamado de &#8220;Relacionamento presencial&#8221; (in-person relationships).</p>
<p>Quanto ao &#8220;relacionamento virtual&#8221;é dada a definição para aquele relacionamento que é &#8220;mediada por computadores&#8221;, carregando um sentimento de lugar e interação espacial.</p>
<p>Uma maneira de compreender este fenômeno social e humano é examinando os vários meios pelos quais as pessoas se comunicam, se conectam e se identificam uns com os outros. A linguagem, por meio das palavras, seria a mais poderosa delas e, a partir disso, já se pode levantar alguns aspectos que colaboram para que relações virtuais tenham sucesso e até algumas vantagens sobre as presenciais:</p>
<p style="padding-left: 30px;">1. A interação pode não ocorrer em tempo real, então, você pode responder ao seu parceiro no momento que você desejar e no tempo que você desejar. Isso te dá tempo para pensar sobre o que você realmente quer dizer e escrever sua resposta de maneira segura, revisando quantas vezes desejar antes de enviar a mensagem. Mesmo em comunicadores em tempo real essa vantagem ocorre, pois você não precisa responder imediatamente. É possível um tempo de reflexão ou fazer uma pesquisa se necessário. Essa estratégia de espera-revisa pode fazer maravilhas para evitar momentos embaraçosos, respostas impulsivas e arrependimentos.</p>
<p style="padding-left: 30px;">2. O diálogo por escrita envolve mecanismos mentais diferentes de uma conversa falada. Pode refletir num estilo cognitivo distinto que possibilita algumas pessoas a serem mais expressivas, organizadas e mais criativas na maneira como elas se comunicam. Não é incomum encontrar pessoas que dizem que conseguem se expressar melhor nesse mundo da escrita.</p>
<p style="padding-left: 30px;">3. As Relações mediadas por mensagens de texto possibilitam que você salve todas as suas interações em arquivos de texto. A qualquer momento é possível consultar as informações mais importantes do relacionamento, resgatar informações importantes de certos momentos da relação, reexaminar conflitos e desentendimentos. Esse tipo de reavaliação é as vezes mais complicado nas relações presenciais, onde quase sempre é preciso requisitar nossa própria memória.</p>
<p style="padding-left: 30px;">4. Relacionamentos por textos tendem a resultar no que é chamado de &#8220;<a title="Leia um artigo tratando sobre este assunto neste blog" href="http://www.psicologiadigital.com/2009/09/11/efeito-da-desinibicao-online/" target="_blank">efeito da desinibição</a>&#8221; causado pelo fato de as pessoas não poderem se ver ou se ouvir, as pessoas podem se abrir mais e dizer coisas que não diriam se estivessem cara-a-cara. Este efeito cria um ambiente onde a intimidade é acelerada.</p>
<p>As desvantagens surgem a partir da falta do face-a-face entre as pessoas. A impossibilidade de haver vozes, expressões faciais ou linguagens corporais limitam a fluência de um relacionamento.</p>
<p>Neste ponto, o autor diferencia os relacionamentos presenciais com os virtuais a partir de como as pessoas se conectam através dos cinco sentidos:</p>
<ul>
<li>ouvir atentamente (audição)</li>
<li>ver para crer (visã0)</li>
<li>posso te tocar? (tato)</li>
<li>chegando ao ponto (olfato e paladar)</li>
</ul>
<p><strong>Ouvir atentamente (audição)</strong></p>
<p>A voz humana é rica em significados e emoções. Pequenas variações na voz de uma pessoa podem causar suspiros ou raiva. Nos relacionamentos virtuais, este estímulo está ausente, porém, somos capazes de &#8220;criar&#8221; essas variações em nossas mentes interpretando o texto da maneira como desejarmos. Ao lermos uma conversa com alguém temos uma forte tendência a projetar (consciente ou inconscientemente) nossas próprias expectativas, desejos, ansiedade e medos naquilo que estamos lendo.</p>
<p><strong>Ver para crer (visão)</strong></p>
<p>Nossas expressões corporais e faciais também possuem uma linguagem repleta de significados e emoções. A ausência desse elemento pode tornar a relação ambígua e insegura. Por outro lado, alguns dizem que esta ambiguidade gera uma oportunidade para se explorar as reações da outra pessoa. Segundo o autor, outras vantagens de não se ver a outra pessoa seria que questões como idade, cor de pele, altura, aparência física ou qualquer outra coisa que influencie em ser &#8220;atrativo&#8221; ou não são irrelevantes.</p>
<p><strong>Posso te tocar (tato)</strong></p>
<p>O ser humano necessita o contato físico com outras pessoas. Crianças e bebês entram e depressão e podem morrer ser o toque de uma pessoa. A maneira como os pais interagem fisicamente com seus filhos se torna um dos pilares da identidade e do bem-estar. Este é, sem dúvidas, um dos maiores abismos entre os relacionamentos presenciais e os virtuais e sua falta é um dos principais motivos para o desgaste de um relacionamento virtual. O ato de tocar a outra pessoa cria elos entre os parceiros. Alguns defendem a idéia de que é possível o envolvimento psicológico e emocional através das palavras, mas é certo que provavelmente você nunca conseguirá abraçar a pessoa amada pela internet.</p>
<p><strong>Chegando ao ponto (olfato e paladar)</strong></p>
<p>Por último, mas não menos importante, vem o olfato e o paladar. O cheio é algo que aproxima muito uma pessoa da outra, sendo capaz de despertar poderosas reações emocionais. Pode-se dizer que o cheirar e o provar sejam sensações interpessoais muito primitivas, mas ambos são essenciais para uma intimidade profunda, talvez justamente por ser tão primitivos e fundamentais. Será que a tecnologia algum dia será capaz de reproduzir odores e sabores e transmiti-los essas sensações a outra pessoa que pode estar do outro lado do mundo?</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-225" title="amor_virtual" src="http://psicologiadigital.tempsite.ws/wp/wp-content/uploads/2009/09/amor_virtual.jpg" alt="amor_virtual" width="211" height="175" />Mais de uma década depois deste artigo escrito por Suler, podemos dizer que as barreiras da visão e audição estão praticamente extintas, uma vez que recursos em áudio e vídeo em tempo real e de boa qualidade já estão disponíveis e são de fácil acesso. Quanto aos outros sentidos, estes parecem ser um desafio e tanto para a tecnologia.</p>
<p>Por fim, uma crítica que faço tanto ao artigo de Suler quanto aos outros sobre relacionamentos que leio por aí é o fato de colocar o relacionamento virtual como um substituto do relacionamento presencial ou como se existisse uma competição entre eles. Não poderíamos encará-lo como uma ferramenta ou um &#8220;plus&#8221; e chamarmos relacionamento apenas e simplesmente de relacionamento?</p>
<p>Faço um comparativo com as cartas e telefones por exemplo. Na época em que esses serviços se tornaram disponíveis para as pessoas foi cogitado o que seria melhor? Um relacionamento por correspondências ou não?</p>
<p>Acredito que todas as pessoas têm necessidades. Uns precisam da presença diária do parceiro para que um relacionamento funcione, outros nem tanto. Tudo tem a ver com um equilíbrio entre as necessidades e satisfações de cada um. Nesse caso, pouco importa o meio, mas sim se no final as expectativas estão sendo correspondidas.</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow: hidden; position: absolute; left: -10000px; top: 837px; width: 1px; height: 1px;">
<p align="justify"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">The human voice is rich in meaning and emotion. A sharp edge to someone&#8217;s words can rouse your suspicion or anger. Just the sound of a loved one&#8217;s voice can be enough to create feelings of comfort and joy. Singing &#8211; one of the most expressive of human activities &#8211; powerfully unites people. In CSR mediated by text only, both obvious and subtle nuances in voice pitch and volume are completely absent. And singing is impossible (unless you consider the mutual recitation of lyrics as singing&#8230; which some onliners do). </span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"> Advocates of text-driven CSR do have a comeback to this criticism. Lacking auditory and visual cues, the e-mail message, blog, or newsgroup post can be productively ambiguous in tone. When reading that typed message, there is a strong tendency to project &#8211; sometimes unconsciously &#8211; your own expectations, wishes, anxieties, and fears into what the person wrote. Psychoanalytic thinkers call this &#8220;<a href="http://www-usr.rider.edu/%7Esuler/psycyber/transference.html">transference.</a>&#8221; Your distorting the person&#8217;s intended meaning could lead to misunderstandings and conflict. It could stimulate countertransference reactions from your online partner. On the other hand, if you discuss your (mis)perceptions with your friend, you are revealing underlying (perhaps unconscious) elements of how you think and feel. In a sense, you are being more real with the other person, allowing a deeper relationship to form. Of course, this more rich and meaningful relationship will only develop when people are mature enough to talk about and work through those projections and transferences with each other. Too often this may not be the case. The skeptics therefore reply that the disadvantage of ambiguity in text communication outweighs the possible advantage.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"> An entirely different comeback for cyberspace advocates is that one&#8217;s voice CAN be heard online. It&#8217;s only a matter of time before audio-streaming becomes perfected to the point where it matches the quality of IPR. In fact, conversing in cyberspace may have some distinct advantages. If you so desire, conversations easily could be saved and replayed &#8211; which isn&#8217;t possible in IPR, unless you&#8217;re carrying a tape recorder. Using software programs, nuances in voice pitch and volume can be examined more carefully for subtle emotions and meaning. Programs also could allow you to modify your voice as you transmit it. If you want to speak in the voice of Bill Clinton, Arnold Schwartzenegger, or Daffy Duck, so be it. Or you can add in any auditory special effect you desire in order to embellish your words &#8211; Pomp and Circumstance, explosions, quacks.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"> As we&#8217;ll see over and over again, a unique feature of CSR is the ability to use imagination and fantasy to shape the way in which you desire to present yourself. This can be a fascinating and revealing dimension to a relationship.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"> Advocates of CSR also will be quick to point out the <a href="http://www-usr.rider.edu/%7Esuler/psycyber/emailrel.html#keyboarding">creative keyboarding techniques</a> that do allow onliners to simulate voice modulation, such as typing in caps to mimic SHOUTING. A poor substitute for the real thing, a skeptic will say. </span></p>
</div>
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		<title>Pacientes recorrem a psicólogo via web</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 23:26:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[terapia]]></category>

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		<description><![CDATA[A terapia online já é um tema antigo nas discussões nas universidades espalhadas por aí. Até pouco tempo atrás, repudiada por muitos. Porém, não tem mais como negar que a tecnologia está aí, disponível e ao acesso de todos. A questão agora deixa de ser se é certo ou errado, se pode ou não pode, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A terapia online já é um tema antigo nas discussões nas universidades espalhadas por aí. Até pouco tempo atrás, repudiada por muitos. Porém, não tem mais como negar que a tecnologia está aí, disponível e ao acesso de todos. A questão agora deixa de ser se é certo ou errado, se pode ou não pode, mas sim, em como deve ser feita.</p>
<div id="attachment_207" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-207" title="terapia_online" src="http://www.psicologiadigital.com/wp-content/uploads/2009/09/terapia_online-300x210.jpg" alt="Pacientes começam a buscar terapia via web" width="300" height="210" /><p class="wp-caption-text">Pacientes começam a buscar terapia via web</p></div>
<p>Segue abaixo uma matéria que saiu sexta-feira na Folha de São Paulo sobre esse assunto.</p>
<p><strong>Pacientes recorrem a psicólogo via web; prática divide especialistas</strong></p>
<p><strong>JULLIANE SILVEIRA</strong><br />
da <strong>Folha de S.Paulo</strong></p>
<p>Cidades diferentes, dificuldade de locomoção, necessidade extrema de sigilo. São vários os motivos que têm levado pacientes em todo o mundo a buscar orientação psicológica ou psicoterapia pela internet -tanto em bate-papos virtuais por programas como Skype ou MSN Messenger quanto por e-mail, com ou sem webcam.</p>
<p><span id="more-206"></span>Diversos estudos internacionais buscam entender os efeitos da psicoterapia à distância, como um trabalho realizado com 297 pacientes britânicos, divulgado em agosto numa edição especial sobre saúde mental da revista &#8220;Lancet&#8221;.</p>
<p>Constatou-se que a terapia cognitivo-comportamental via internet é mais efetiva para tratar depressão do que uma simples consulta com clínico-geral, desde que realizada em tempo real (em conversas virtuais). Isso mostra que o acompanhamento psicológico pela internet pode surtir efeito.</p>
<p>A cirurgiã Adriana Brasil Moreira, 37, aprova a técnica. Ela morava no Rio de Janeiro e fez acompanhamento psicológico durante um ano com uma especialista com quem adquiriu muita afinidade. Ela teve de se mudar para Piracicaba, no interior de São Paulo.</p>
<p>&#8220;Queria continuar fazendo terapia, mas não confiava em mais ninguém. Sou médica e sei o quanto qualquer tipo de intervenção é séria, principalmente a psicológica. Além disso, meus horários são muito fora do comum, tenho pouco tempo livre&#8221;, diz. Ela propôs à especialista carioca que continuassem a terapia por meio de webcam, uma vez por semana, durante uma hora.</p>
<p>Há cerca de dois anos, Adriana faz terapia pela internet e obteve bons resultados. &#8220;Foi muito importante. Não é igual, mas temos o mesmo ritmo de pensamento e conseguimos nos adaptar de uma forma perfeita, porque foi a única opção que me restou. Foi melhor do que fazer com alguém com quem eu não me identificasse. Quando existe resultado num tipo de tratamento, vale a pena adaptar a forma em prol do conteúdo. Em vez de mudar o terapeuta, mudei a forma&#8221;, diz.</p>
<p>O acompanhamento pela internet em casos de mudança de cidade tem ocorrido com frequência. Em alguns casos, o paciente segue com o psicólogo antigo até encontrar outro especialista na nova localidade. Em outros, decide continuar o tratamento por falta de opção -o que ocorre porque está em um país onde não compreende muito bem a língua ou quando não encontra um terapeuta em quem confie.</p>
<p>No entanto, o CFP (Conselho Federal de Psicologia) limita a prática no país e autoriza somente o que define como orientação psicológica. &#8220;Não existe nenhuma regulamentação sobre isso [continuar o acompanhamento a distância]. Se o paciente sofre um transtorno grave e surta e o profissional não está no local, ele tem de responder eticamente por isso. Resolver uma questão pontual com a ajuda do e-mail é uma coisa, fazer o tratamento é outra&#8221;, alerta Andréia Nascimento, conselheira do CFP.</p>
<p>Enquanto a terapia tem tempo indeterminado e trabalha diversas questões relacionadas à vida do paciente, a orientação visa ajudá-lo a resolver um problema pontual, como a escolha da profissão que quer seguir ou alguma dificuldade sexual específica, entre outras questões.</p>
<p>De acordo com o CFP, não existem pesquisas brasileiras que mostrem resultados satisfatórios da prática a longo prazo. &#8220;Não podemos afirmar que uma coisa que é boa no Japão vai ser boa aqui. Então, é preciso que sejam feitas pesquisas aqui. Enquanto fica apenas no que pensam os psicólogos, não podemos fazer nada&#8221;, afirma Nascimento.</p>
<p>A psicoterapia pela internet só é autorizada no país para a realização de pesquisas. Nesse caso, o pesquisador precisa registrar seu projeto junto ao Conselho Nacional de Saúde, que deverá aprovar o trabalho.</p>
<p>O conselho tem a mesma opinião sobre o acompanhamento psicológico por telefone, prática também utilizada por alguns especialistas. &#8220;Não está na lei, mas isso não quer dizer que pode fazer. É preciso que o profissional se embase cientificamente, procure o conselho regional para saber se é possível ou não fazer&#8221;, diz Nascimento.</p>
<p>Alguns grupos buscam estudar e definir as diferenças entre a orientação psicológica e a psicoterapia e defendem que, se em algum momento a psicoterapia via internet for aprovada no Brasil, deverão ser desenvolvidas novas técnicas e formas de trabalho, diferentes da maneira como a psicoterapia convencional é conduzida hoje.</p>
<p>&#8220;Existe uma tendência mundial de que a tecnologia seja usada de formas úteis e criativas. Acredito que seja preciso criar novas formas de intervenções terapêuticas -um método de trabalho de caráter terapêutico diferente da psicoterapia como conhecemos hoje. Não é apenas transpor a terapia convencional para a internet, mas sim estudar como seria a terapia mediada por essa via&#8221;, afirma Rosa Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.</p>
<p>Link da reportagem: <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u621960.shtml">http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u621960.shtml</a></p>
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		<title>Efeito da desinibição online</title>
		<link>http://www.psicologiadigital.com/2009/09/11/efeito-da-desinibicao-online/</link>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 16:12:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
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		<category><![CDATA[Efeito da desinibição]]></category>
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		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[A segurança na internet é um tema em desenvolvimento com várias discussões nas mais diversas áreas. Encontramos facilmente artigos que vão desde a segurança tecnológica dos sites até sobre temas educacionais. No entanto, ainda são poucos os estudos que visam entender a Psicologia na internet. A procura de mais artigos para meu Blog deparei-me com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A segurança na internet é um tema em desenvolvimento com várias discussões nas mais diversas áreas. Encontramos facilmente artigos que vão desde a segurança tecnológica dos sites até sobre temas educacionais. No entanto, ainda são poucos os estudos que visam entender a Psicologia na internet.</p>
<p>A procura de mais artigos para meu Blog deparei-me com um artigo sobre um fenômeno chamado &#8220;Efeito da desinibição online&#8221; &#8211; The Online Disinhibition Effect &#8211; proposto pelo psicólogo John Suler, do Departamento de Psicologia do Centro de Ciência e Tecnologia da Rider University.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-190" title="efeito_desinibição" src="http://www.psicologiadigital.com/wp-content/uploads/2009/09/efeito_desinibição-300x219.jpg" alt="efeito_desinibição" width="300" height="219" /></p>
<p>Segundo o pesquisador, este efeito possui dois lados. Algumas vezes as pessoas dividem informações e sentimentos muito pessoais, revelam segredos, emoções, medos e desejos e demonstrações de bondade e generosidade incomuns. Esse efeito pode ser chamado de desinibição benigna caso esteja auxiliando a pessoa a se expressar melhor.</p>
<p><span id="more-186"></span>Por outro lado, o efeito da desinibição pode não ser tão benigno assim quando utilizado para a divulgação de racismos, preconceitos, roubos, pornografia e violência através de espaços que a internet proporciona que não seriam visitados no mundo real. Dessa forma, o efeito é chamado de desnibição tóxica.</p>
<p>No lado positivo, a desinibição indica uma tentativa de entender e explorar a nós mesmos, trabalhando nossos problemas e encontrando novas maneiras de ser. Já as desinibições tóxicas, algumas vezes, representam uma espécie de catarse, uma forma de realização de desejos proibidos.</p>
<p>Mas o que causa essa desinibição? O que há na internet que consegue romper com essa barreira psicológica que bloqueia essas vontades e sentimentos tão íntimos? Segundo Suler, são vários os fatores envolvidos e na maioria das vezes estes fatores estão interagindo um com os outros, resultando em um efeito mais complexo e amplo.</p>
<p><strong>Você não me conhece (anonimato/dissociação)</strong></p>
<p>A maioria das pessoas com as quais você cruza pela internet não consegue facilmente dizer quem é você. Obviamente que existem maneiras de se identificar um determinado usuário na internet, mas para a grande maioria dos usuários você é o que você diz ser. Quando as pessoas têm a oportunidade de separar suas ações do seu mundo real e ainda preservando suas identidades, elas se sentem menos vulneráveis.</p>
<p>Ao expressar um sentimento hostil, por exemplo, a pessoa não precisa assumir a responsabilidade por essa ação. Na verdade, algumas pessoas nem mesmo reconhecem esses comportamentos como sendo &#8220;delas mesmas&#8221;. Na psicologia isso é chamado de &#8220;dissociação&#8221;.</p>
<p><strong>Você não pode me ver (invisibilidade)</strong></p>
<p>A oportunidade de ser fisicamente invisível aumenta o efeito da desinibição. O fato de não haver um contato físico (principalmente visual) numa conversa de texto entre você e outra pessoa na internet faz com que você se preocupe menos em dizer certas coisas. Suler explica  que podemos perceber esse fator quando a pergunta &#8220;Você falaria isso na cara dessa pessoa?&#8221; for negativa.</p>
<p><strong>Te vejo mais tarde (assincronicidade)</strong></p>
<p>O fato de não precisarmos lidar com a reação imediata de uma pessoa pode ser desinibidora. Algumas vezes esse efeito pode ser comparado com um &#8220;bater e correr emocional&#8221;, de acordo com Suler. Poder considerar como as pessoas provavelmente irão reagir a alguma coisa mais de uma vez nos ajuda a desenvolver uma habilidade de prever suas respostas e, assim, criar uma empatia com elas.</p>
<p><strong>Está tudo na minha cabeça (introjeção solipicista</strong>)</p>
<p>Quando estamos concentrado em um bate-papo na internet geralmente &#8220;escutamos&#8221; a conversação em nossa mente e &#8220;sub-vocalizamos&#8221; o que estamos lendo. Conseguimos inclusive interpretar o tom de voz e escutar o que está sendo dito da maneira como gostaríamos que estivesse sendo dito.</p>
<p><strong>É apenas um jogo (imaginação d</strong><strong>issociativa</strong>)</p>
<p>Neste cenário, as pessoas lidam com a interação com outras pessoas como sendo uma dimensão &#8220;faz-de-conta&#8221;, totalmente separada das demandas e responsabilidades mundanas. Elas acreditam que podem sair a qualquer momento deste jogo, deixando inclusive essa identidade fictícia para trás.</p>
<p><strong>Somos todos iguais (autoridade minimizada</strong><strong></strong>)</p>
<p>A internet proporciona um sentimento de igualdade que nos encoraja a dizer o que pensamos de forma a minimizar as relações de poder que podem existir entre as pessoas presencialmente. Esse fator, também contribui para o efeito da desinibição online.</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow: hidden; position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px;">
<div>
<p><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">It&#8217;s well known that people say and do things in cyberspace that they wouldn&#8217;t ordinarily say or do in the face-to-face world. They loosen up, feel more uninhibited, express themselves more openly. Researchers call this the &#8220;disinhibition effect.&#8221; It&#8217;s a double-edged sword. Sometimes people share very personal things about themselves. They reveal secret emotions, fears, wishes. Or they show unusual acts of kindness and generosity. We may call this <em>benign disinhibition</em>. </span></div>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"> On the other hand, the disinhibition effect may not be so benign. Out spills rude language and harsh criticisms, anger, hatred, even threats. Or people explore the dark underworld of the internet, places of pornography and violence, places they would never visit in the real world. We might call this <em>toxic disinhibition</em>.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"> On the benign side, the disinhibition indicates an attempt to understand and explore oneself, to work through problems and find new ways of being. And sometimes, in toxic disinhibition, it is simply a blind catharsis, an acting out of unsavory needs and wishes without any personal growth at all.</span></p>
<p>What causes this online disinhibition? What is it about cyberspace that loosens the psychological barriers that block the release of these inner feelings and needs? Several factors are at play. For some people, one or two of them produces the lion&#8217;s share of the disinhibition effect. In most cases, though, these factors interact with each other, supplement each other, resulting in a more complex, amplified effect.</p></div>
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		<title>A Psicologia e a Internet</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 13:48:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[computador subjetivo]]></category>
		<category><![CDATA[percepção]]></category>
		<category><![CDATA[realidade]]></category>
		<category><![CDATA[realidade compartilhada]]></category>

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		<description><![CDATA[Com o surgir dos computadores e, especialmente, da internet, uma nova dimensão de experiências humanas está rapidamente surgindo. Termos como &#8220;mundo virtual&#8221;, &#8220;ciberespaço&#8221;, entre outros, tem sido mencionados cada vez mais. Essas novas experiências criadas podem ser entendidas como &#8220;espaços&#8221; psicológicos. Quando alguém liga um computador, inicia um programa, escreve um email, ou acessa algum [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Com o surgir dos computadores e, especialmente, da internet, uma nova dimensão de experiências humanas está rapidamente surgindo. Termos como &#8220;mundo virtual&#8221;, &#8220;ciberespaço&#8221;, entre outros, tem sido mencionados cada vez mais.</p>
<p style="text-align: left;">Essas novas experiências criadas podem ser entendidas como &#8220;espaços&#8221; psicológicos. Quando alguém liga um computador, inicia um programa, escreve um email, ou acessa algum de seus serviços online, os usuários têm a sensação de estarem entrando, consciente ou inconscientemente, num &#8220;lugar&#8221; ou &#8220;espaço&#8221; que é composto por uma série de significados e sentidos. Observa-se isso nas descrições que os usuários fazem ao acessar uma página na internet, como estarem &#8220;navegando&#8221; ou &#8220;indo a algum lugar&#8221;. Ou seja, metáforas como &#8220;mundo&#8221;, &#8220;domínios&#8221;, &#8220;salas&#8221;, &#8220;estar em&#8221;, &#8220;dentro de&#8221; são comumente associadas à atividades da internet.</p>
<p style="text-align: left;">
<div id="attachment_162" class="wp-caption aligncenter" style="width: 374px"><img class="size-medium wp-image-162" title="percepção_realidade" src="http://www.psicologiadigital.com/wp-content/uploads/2009/09/percepção_realidade-300x216.jpg" alt="Foto: Maria da Silva - Percepção e Realidade" width="364" height="259" /><p class="wp-caption-text">Foto: Maria da Silva - Percepção e Realidade</p></div>
<p style="text-align: left;">Em um nível psicológico mais profundo, alguns usuários descrevem como seus computadores são extensões de sua mente e personalidade. Como um &#8220;espaço&#8221; que reflete seus gostos, atitudes e interesses. Trazendo alguns termos psicanalíticos, computadores e a internet se tornam uma espécie de &#8220;espaço transicional&#8221;.</p>
<p style="text-align: left;"><span id="more-122"></span></p>
<p style="text-align: left;">Espaço transicional é o espaço criado pela atualização do espaço potencial, aquele que Winnicott diz existir entre o bebê e a mãe na época da dependência absoluta. Nessa época, marcada pela fusão, não existe qualquer espaço psicológico separando o bebê da sua mãe. No espaço potencial irão sendo colocados &#8220;objetos&#8221; (experiências do bebê), e mais tarde objetos concretos, que o bebê virá a possuir, e é assim que no espaço potencial cria-se o espaço transicional.</p>
<p style="text-align: left;">A partir de Kant, e com a colaboração final de Lacan, sabemos que não existe uma REALIDADE da qual se possa ter certeza, pois o REAL (a coisa em si) está fora do campo da percepção. De acordo com Lacan, existe, então, duas maneiras de compreender o &#8220;real&#8221;: o simbólico, esse território onde tudo é  possível mas nada é certo, e o imaginário, onde muita coisa é certa mas quase nada é possível.</p>
<p style="text-align: left;">
<blockquote><p>“O que percebemos objetivamente não se chama &#8220;realidade&#8221;, mas &#8220;realidade compartilhada&#8221;, ou seja, aquilo sobre o qual duas ou mais pessoas concordam que &#8220;é verdade&#8221;.”<br />
- Winnicott</p></blockquote>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Na linguagem de Winnicott, esses dois territórios equivalem às coisas que percebemos objetivamente, em contraste com as coisas que concebemos subjetivamente. Pois para Winnicott o que percebemos objetivamente não se chama &#8220;realidade&#8221;, mas &#8220;realidade compartilhada&#8221;, ou seja, aquilo sobre o qual duas ou mais pessoas concordam que &#8220;é verdade&#8221;, e quanto mais pessoas concordarem a respeito, mais &#8220;verdadeira&#8221; é a coisa percebida. Exemplo: muitas coisas são verdadeiras para um povo, enquanto outro as acha inteiramente disparatadas. E nos partidos políticos, assim como nos torcedores de clubes esportivos, vemos &#8220;realidades compartilhadas&#8221; que só são compartilhadas por eles mesmos, sendo inteiramente desacreditadas pelos demais.</p>
<p style="text-align: left;">A &#8220;realidade compartilhada&#8221; tem, em sua periferia, uma ampla região onde a qualidade de &#8220;verdadeiro&#8221; é muitíssimo escassa, vigorando ali mais o que <span>duas ou mais pessoas</span> estão de acordo sobre determinado fenômeno, do que a possibilidade de ele ser captado por instrumentos físicos de registro, tais como uma máquina fotográfica. A inexistência de uma fronteira nítida entre a &#8220;realidade&#8221; e a &#8220;ilusão&#8221;, portanto, é um dos elementos centrais para a compreensão do problema da percepção humana.</p>
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		<title>What Things Do: Reflexões filosóficas sobre a Tecnologia e o Design</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 00:38:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Design da Interação]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Neste final de semana, durante a Pós no instituto Faber-Ludens, nosso professor Fred (Blog Usabilidoido) nos apresentou um livro chamado What Things Do. Parece interessante. Agora é juntar os $30,00 pra comprar o livro&#8230; Alguém aí que já tenha lido tem alguma opinião a respeito? What Things Do: Philosophical Reflections on Technology, Agency, And Design [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_146" class="wp-caption alignright" style="width: 103px"><img class="size-full wp-image-146" title="What things do" src="http://psicologiadigital.tempsite.ws/wp/wp-content/uploads/2009/07/What-things-do.jpg" alt="What things do" width="93" height="141" /><p class="wp-caption-text">What Things Do</p></div>
<p>Neste final de semana, durante a Pós no instituto <a title="Instituto Faber-Ludens" href="http://www.faberludens.com.br" target="_blank">Faber-Ludens</a>, nosso professor Fred (<a title="Blog Usabilidoido" href="http://www.usabilidoido.com.br" target="_blank">Blog Usabilidoido</a>) nos apresentou um livro chamado What Things Do. Parece interessante. Agora é juntar os $30,00 pra comprar o livro&#8230;</p>
<p>Alguém aí que já tenha lido tem alguma opinião a respeito?</p>
<p><strong>What Things Do: Philosophical Reflections on Technology, Agency, And Design</strong></p>
<p>Nossa sociedade moderna está inundada com todo tipo de dispositivos: TVs, carros, microondas, telefones celulares. Como todas essas coisas nos afetam? Como podemos entender seus papeis em nossas vidas? What Things Do (O que as coisas fazem) responde essas perguntas focando em como a tecnologia influencía nossas ações e percepções sobre o mundo.</p>
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		<title>Modernidade Líquida</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jul 2009 12:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
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		<category><![CDATA[Modernidade Líquida]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[No livro Modernidade Líquida, o sociólogo Zygmunt Bauman, fala sobre as transformações sociais pelas quais passa nossa sociedade nas esferas pública, privada, relacionamentos humanos, mundo do trabalho, estado e instituições sociais. Bauman utiliza a metáfora da liquefação para demonstrar as conseqüências que essa transformação social está trazendo para os relacionamentos entre as pessoas. Segundo ele, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_131" class="wp-caption alignright" style="width: 124px"><img class="size-full wp-image-131" title="modernidade-liquida" src="http://psicologiadigital.tempsite.ws/wp/wp-content/uploads/2009/07/modernidade-liquida.jpg" alt="modernidade-liquida" width="114" height="143" /><p class="wp-caption-text">Livro Modernidade Líquida</p></div>
<p style="text-align: justify;">No livro <em>Modernidade Líquida</em>, o sociólogo Zygmunt Bauman, fala sobre as transformações sociais pelas quais passa nossa sociedade nas esferas pública, privada, relacionamentos humanos, mundo do trabalho, estado e instituições sociais. Bauman utiliza a metáfora da liquefação para demonstrar as conseqüências que essa transformação social está trazendo para os relacionamentos entre as pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo ele, a solidez das instituições sociais, como por exemplo a família, o governo, as relações de trabalho, está perdendo espaço para o fenômeno de liquefação. De acordo com essa metáfora, a solidez dessas instituições, firmes e inabaláveis, estão se derretendo, transformando-se, irreversivelmente, num estado liquido.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-130"></span>Este estado líquido tem como característica principal a capacidade de moldar-se em relação as mais diversas estruturas. Neste tempo de transformações no relacionamento humano, os laços afetivos e sociais acabam se tornando o centro da questão e a liquefação dessas antes solidas instituições evidenciam um tempo de desapego e uma suposta sensação provisória de liberdade que, na verdade, traz consigo um desapego social em que nós, indivíduos moderno-líquidos, nos encontramos.</p>
<p style="text-align: justify;">O autor usa o termo individuo para alertar-nos do crescente processo de individualização pela qual nossa sociedade está passando. Existe um desprendimento de pertencermos em alguma rede social. A cultura do Eu sobrepõe-se à do Nós e o relacionamento eu-outro ganha características mercantis, em que os vínculos entre as pessoas tem a possibilidade de serem desfeitos a qualquer momento. Esse tipo de relacionamento volátil (liquido) traz uma sensação de leveza e descompromisso, sendo associada à uma liberdade individual.</p>
<div id="attachment_132" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img class="size-full wp-image-132" title="homens-derretendo" src="http://psicologiadigital.tempsite.ws/wp/wp-content/uploads/2009/07/homens-derretendo.jpg" alt="Sociedade liquefeita" width="300" height="203" /><p class="wp-caption-text">Sociedade liquefeita</p></div>
<p style="text-align: justify;">Porém, essa mesma liberdade individual vem provocando uma série de queixas psicológicas que parecem fazer parte dessa liquidez, como depressão, sensação de solidão, isolamento e desamparo no plano individual. No âmbito social gera-se uma situação de desterritorialização. Fronteiras culturais, territoriais, lingüísticos praticamente deixaram de existir. Pertencemos ao mundo, mas até onde o mundo nos pertence?</p>
<p style="text-align: justify;">Na modernidade líquida não há compromisso com a idéia de permanência e durabilidade. Entre a possibilidade do desprendimento fluido como modo de vida e a imposição do mesmo para a imensa maioria, há um vácuo entre a liberdade e a incerteza, a emancipação e o total desamparo social e individual.</p>
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		<title>Internet em BRAILLE</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 17:36:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia da Informação]]></category>
		<category><![CDATA[braille]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[A UNESP está com um projeto de pesquisa para o desenvolvimento de um console em braille capaz de permitir aos deficientes visuais acesso às informações da internet em tempo real. O trabalho visa à construção de um dispositivo eletromecânico, reconfigurável em tempo real, capaz de exibir todos os diferentes sinais do alfabeto braille em uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignleft" style="width: 200px"><img title="Internet em Braille" src="http://www.agencia.fapesp.br/fotos/2009/25/foto_dentro10644_1.jpg" alt="" width="190" height="140" /><p class="wp-caption-text">Internet em Braille</p></div>
<p>A UNESP está com um projeto de pesquisa para o desenvolvimento de um console em braille capaz de permitir aos deficientes visuais acesso às informações da internet em tempo real.</p>
<p>O trabalho visa à construção de um dispositivo eletromecânico, reconfigurável em tempo real, capaz de exibir todos os diferentes sinais do alfabeto braille em uma matriz de pontos que se elevam e abaixam em uma superfície de referência.</p>
<p>O projeto foi finalista regional do Prêmio Santander de Ciência e Inovação de 2008, na categoria Tecnologia da Informação e Comunicação e está em fase de construção do hardware. O dispositivo não converte arquivos de texto em áudio, uma vez que já existem outros equipamentos capazes de fazer isso.</p>
<p>A tecnologia de computação tem tornado possível o rompimento das barreiras em relação aos portadores de deficiência visual. Antes, um texto extenso demorava horas para ser criado manualmente em braille. Hoje, o processo leva minutos com o uso de impressoras específicas para o sistema.</p>
<p>Leia mais em <a title="Internet em braille" href="http://www.agencia.fapesp.br/materia/10644/especiais/internet-em-braille.htm">http://www.agencia.fapesp.br/materia/10644/especiais/internet-em-braille.htm</a></p>
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		<title>Steve Jobs: Você tem que encontrar o que você ama</title>
		<link>http://www.psicologiadigital.com/2009/07/04/steve-jobs-voce-tem-que-encontrar-o-que-voce-ama/</link>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 17:30:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diversos]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia da Informação]]></category>

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		<description><![CDATA[Reencontrei hoje um discurso de Steve Jobs, o criador da Apple, para os formandos de Stanford. A primeira vez que li esse texto deve ter sido em 2007. Apesar de estar fora dos assuntos trazidos por este blog, vale a pena a leitura. Você tem que encontrar o que você ama Estou honrado de estar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Reencontrei hoje um discurso de Steve Jobs, o criador da Apple, para os formandos de Stanford. A primeira vez que li esse texto deve ter sido em 2007.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de estar fora dos assuntos trazidos por este blog, vale a pena a leitura.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Você tem que encontrar o que você ama</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.psicologiadigital.com/wp-content/uploads/2009/09/SteveJobs19_grad_steve.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-154" title="SteveJobs19_grad_steve" src="http://www.psicologiadigital.com/wp-content/uploads/2009/09/SteveJobs19_grad_steve-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a><br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de u</p>
<p style="text-align: justify;">ma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-94"></span></p>
<p><strong>A primeira história é sobre ligar os pontos</strong></p>
<p>Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei?</p>
<p>Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: &#8220;Apareceu um garoto. Vocês o querem?&#8221; Eles disseram: &#8220;É claro.&#8221; Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade.</p>
<p>E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes.</p>
<p>Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquele época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.</p>
<p>Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.</p>
<p>Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.</p>
<p>De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa &#8211; sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Minha segunda história é sobre amor e perda.</strong></p>
<p>Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação &#8211; o Macintosh &#8211; e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo.</p>
<p>Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família maravilhosa.</p>
<p>Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Minha terceira história é sobre morte.</strong></p>
<p>Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: &#8220;Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último&#8221;. Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: &#8220;Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?&#8221; E se a resposta é &#8220;não&#8221; por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.</p>
<p>Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo -  expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar &#8211; caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.</p>
<p>Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de 3 a 6 semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas &#8211; que é o código dos médicos para &#8220;preparar para morrer&#8221;. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus. Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem. Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.</p>
<p>O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário. Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes do Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de The Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: &#8220;Continue com fome, continue bobo&#8221;. Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.</p>
<p>Obrigado.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">* Fonte: Revista Você S/A</p>
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