﻿<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Psicologia Digital &#187; Comportamento</title>
	<atom:link href="http://www.psicologiadigital.com/tag/comportamento/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.psicologiadigital.com</link>
	<description>A Psicologia frente ao desenvolvimento da mídia e da tecnologia</description>
	<lastBuildDate>Fri, 11 Jun 2010 17:47:04 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0</generator>
		<item>
		<title>A Psicologia dos Relacionamentos na Internet</title>
		<link>http://www.psicologiadigital.com/2009/09/13/a-psicologia-dos-relacionamentos-na-internet/</link>
		<comments>http://www.psicologiadigital.com/2009/09/13/a-psicologia-dos-relacionamentos-na-internet/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 13 Sep 2009 23:24:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Efeito da desinibição]]></category>
		<category><![CDATA[Identidade]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamentos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.psicologiadigital.com/?p=171</guid>
		<description><![CDATA[Quer você goste ou não, a internet se tornou uma nova maneira de relacionamento social. Pessoas estão encontrando amigos, colegas, namorados e também, inimigos pela internet. Já escutei pessoas dizerem que o relacionamento na internet não é de fato real, ou seja, não é como no &#8220;mundo real&#8221;. Segundo elas, esses relacionamentos são apenas algo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quer você goste ou não, a internet se tornou uma nova maneira de relacionamento social. Pessoas estão encontrando amigos, colegas, namorados e também, inimigos pela internet.</p>
<p>Já escutei pessoas dizerem que o relacionamento na internet não é de fato real, ou seja, não é como no &#8220;mundo real&#8221;. Segundo elas, esses relacionamentos são apenas algo passageiro, uma fase pela qual as pessoas passam. Algumas, mais críticas, dizem que não se pode comparar com os relacionamentos reais e que se alguém prefere se comunicar através de um &#8220;mundo virtual&#8221;, alguma coisa deve estar errada. Essa pessoa deve estar depressiva, com baixa auto-estima ou com medo de encarar um relacionamento real.</p>
<p>Será que isso é verdade? Será que é verdade que relacionamentos &#8220;reais&#8221; são superiores às relações virtuais?</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-181" title="relacionamento" src="http://psicologiadigital.tempsite.ws/wp/wp-content/uploads/2009/09/casal.jpg" alt="relacionamento" width="270" height="169" /></p>
<p>Novamente, lendo alguns artigos do psicólogo John Suler, do Departamento de Psicologia do Centro de Ciência e Tecnologia da Rider University, encontrei um interessante artigo abordando este assunto.</p>
<p>O artigo é de 1997, portanto, num tempo onde grande parte das tecnologias atualmente existentes ainda não estavam presentes. Orkut, Google, Yahoo, e derivados ainda nem sonhavam em existir. O MSN surgiria apenas em 1998. Mas mesmo assim, apesar da gigantesca evolução tecnológica de lá pra cá, é possível fazermos uma reflexão das diferenças e semelhanças que ainda continuam apesar de todos esses anos.</p>
<p><span id="more-171"></span>O autor inicia seu texto com algumas definições diferenciando conceitualmente relacionamentos reais de relacionamentos virtuais. Segundo Suler um &#8220;relacionamento real&#8221; seria aquele em que o contato físico entre duas pessoas esteja presente, chamado de &#8220;Relacionamento presencial&#8221; (in-person relationships).</p>
<p>Quanto ao &#8220;relacionamento virtual&#8221;é dada a definição para aquele relacionamento que é &#8220;mediada por computadores&#8221;, carregando um sentimento de lugar e interação espacial.</p>
<p>Uma maneira de compreender este fenômeno social e humano é examinando os vários meios pelos quais as pessoas se comunicam, se conectam e se identificam uns com os outros. A linguagem, por meio das palavras, seria a mais poderosa delas e, a partir disso, já se pode levantar alguns aspectos que colaboram para que relações virtuais tenham sucesso e até algumas vantagens sobre as presenciais:</p>
<p style="padding-left: 30px;">1. A interação pode não ocorrer em tempo real, então, você pode responder ao seu parceiro no momento que você desejar e no tempo que você desejar. Isso te dá tempo para pensar sobre o que você realmente quer dizer e escrever sua resposta de maneira segura, revisando quantas vezes desejar antes de enviar a mensagem. Mesmo em comunicadores em tempo real essa vantagem ocorre, pois você não precisa responder imediatamente. É possível um tempo de reflexão ou fazer uma pesquisa se necessário. Essa estratégia de espera-revisa pode fazer maravilhas para evitar momentos embaraçosos, respostas impulsivas e arrependimentos.</p>
<p style="padding-left: 30px;">2. O diálogo por escrita envolve mecanismos mentais diferentes de uma conversa falada. Pode refletir num estilo cognitivo distinto que possibilita algumas pessoas a serem mais expressivas, organizadas e mais criativas na maneira como elas se comunicam. Não é incomum encontrar pessoas que dizem que conseguem se expressar melhor nesse mundo da escrita.</p>
<p style="padding-left: 30px;">3. As Relações mediadas por mensagens de texto possibilitam que você salve todas as suas interações em arquivos de texto. A qualquer momento é possível consultar as informações mais importantes do relacionamento, resgatar informações importantes de certos momentos da relação, reexaminar conflitos e desentendimentos. Esse tipo de reavaliação é as vezes mais complicado nas relações presenciais, onde quase sempre é preciso requisitar nossa própria memória.</p>
<p style="padding-left: 30px;">4. Relacionamentos por textos tendem a resultar no que é chamado de &#8220;<a title="Leia um artigo tratando sobre este assunto neste blog" href="http://www.psicologiadigital.com/2009/09/11/efeito-da-desinibicao-online/" target="_blank">efeito da desinibição</a>&#8221; causado pelo fato de as pessoas não poderem se ver ou se ouvir, as pessoas podem se abrir mais e dizer coisas que não diriam se estivessem cara-a-cara. Este efeito cria um ambiente onde a intimidade é acelerada.</p>
<p>As desvantagens surgem a partir da falta do face-a-face entre as pessoas. A impossibilidade de haver vozes, expressões faciais ou linguagens corporais limitam a fluência de um relacionamento.</p>
<p>Neste ponto, o autor diferencia os relacionamentos presenciais com os virtuais a partir de como as pessoas se conectam através dos cinco sentidos:</p>
<ul>
<li>ouvir atentamente (audição)</li>
<li>ver para crer (visã0)</li>
<li>posso te tocar? (tato)</li>
<li>chegando ao ponto (olfato e paladar)</li>
</ul>
<p><strong>Ouvir atentamente (audição)</strong></p>
<p>A voz humana é rica em significados e emoções. Pequenas variações na voz de uma pessoa podem causar suspiros ou raiva. Nos relacionamentos virtuais, este estímulo está ausente, porém, somos capazes de &#8220;criar&#8221; essas variações em nossas mentes interpretando o texto da maneira como desejarmos. Ao lermos uma conversa com alguém temos uma forte tendência a projetar (consciente ou inconscientemente) nossas próprias expectativas, desejos, ansiedade e medos naquilo que estamos lendo.</p>
<p><strong>Ver para crer (visão)</strong></p>
<p>Nossas expressões corporais e faciais também possuem uma linguagem repleta de significados e emoções. A ausência desse elemento pode tornar a relação ambígua e insegura. Por outro lado, alguns dizem que esta ambiguidade gera uma oportunidade para se explorar as reações da outra pessoa. Segundo o autor, outras vantagens de não se ver a outra pessoa seria que questões como idade, cor de pele, altura, aparência física ou qualquer outra coisa que influencie em ser &#8220;atrativo&#8221; ou não são irrelevantes.</p>
<p><strong>Posso te tocar (tato)</strong></p>
<p>O ser humano necessita o contato físico com outras pessoas. Crianças e bebês entram e depressão e podem morrer ser o toque de uma pessoa. A maneira como os pais interagem fisicamente com seus filhos se torna um dos pilares da identidade e do bem-estar. Este é, sem dúvidas, um dos maiores abismos entre os relacionamentos presenciais e os virtuais e sua falta é um dos principais motivos para o desgaste de um relacionamento virtual. O ato de tocar a outra pessoa cria elos entre os parceiros. Alguns defendem a idéia de que é possível o envolvimento psicológico e emocional através das palavras, mas é certo que provavelmente você nunca conseguirá abraçar a pessoa amada pela internet.</p>
<p><strong>Chegando ao ponto (olfato e paladar)</strong></p>
<p>Por último, mas não menos importante, vem o olfato e o paladar. O cheio é algo que aproxima muito uma pessoa da outra, sendo capaz de despertar poderosas reações emocionais. Pode-se dizer que o cheirar e o provar sejam sensações interpessoais muito primitivas, mas ambos são essenciais para uma intimidade profunda, talvez justamente por ser tão primitivos e fundamentais. Será que a tecnologia algum dia será capaz de reproduzir odores e sabores e transmiti-los essas sensações a outra pessoa que pode estar do outro lado do mundo?</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-225" title="amor_virtual" src="http://psicologiadigital.tempsite.ws/wp/wp-content/uploads/2009/09/amor_virtual.jpg" alt="amor_virtual" width="211" height="175" />Mais de uma década depois deste artigo escrito por Suler, podemos dizer que as barreiras da visão e audição estão praticamente extintas, uma vez que recursos em áudio e vídeo em tempo real e de boa qualidade já estão disponíveis e são de fácil acesso. Quanto aos outros sentidos, estes parecem ser um desafio e tanto para a tecnologia.</p>
<p>Por fim, uma crítica que faço tanto ao artigo de Suler quanto aos outros sobre relacionamentos que leio por aí é o fato de colocar o relacionamento virtual como um substituto do relacionamento presencial ou como se existisse uma competição entre eles. Não poderíamos encará-lo como uma ferramenta ou um &#8220;plus&#8221; e chamarmos relacionamento apenas e simplesmente de relacionamento?</p>
<p>Faço um comparativo com as cartas e telefones por exemplo. Na época em que esses serviços se tornaram disponíveis para as pessoas foi cogitado o que seria melhor? Um relacionamento por correspondências ou não?</p>
<p>Acredito que todas as pessoas têm necessidades. Uns precisam da presença diária do parceiro para que um relacionamento funcione, outros nem tanto. Tudo tem a ver com um equilíbrio entre as necessidades e satisfações de cada um. Nesse caso, pouco importa o meio, mas sim se no final as expectativas estão sendo correspondidas.</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow: hidden; position: absolute; left: -10000px; top: 837px; width: 1px; height: 1px;">
<p align="justify"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">The human voice is rich in meaning and emotion. A sharp edge to someone&#8217;s words can rouse your suspicion or anger. Just the sound of a loved one&#8217;s voice can be enough to create feelings of comfort and joy. Singing &#8211; one of the most expressive of human activities &#8211; powerfully unites people. In CSR mediated by text only, both obvious and subtle nuances in voice pitch and volume are completely absent. And singing is impossible (unless you consider the mutual recitation of lyrics as singing&#8230; which some onliners do). </span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"> Advocates of text-driven CSR do have a comeback to this criticism. Lacking auditory and visual cues, the e-mail message, blog, or newsgroup post can be productively ambiguous in tone. When reading that typed message, there is a strong tendency to project &#8211; sometimes unconsciously &#8211; your own expectations, wishes, anxieties, and fears into what the person wrote. Psychoanalytic thinkers call this &#8220;<a href="http://www-usr.rider.edu/%7Esuler/psycyber/transference.html">transference.</a>&#8221; Your distorting the person&#8217;s intended meaning could lead to misunderstandings and conflict. It could stimulate countertransference reactions from your online partner. On the other hand, if you discuss your (mis)perceptions with your friend, you are revealing underlying (perhaps unconscious) elements of how you think and feel. In a sense, you are being more real with the other person, allowing a deeper relationship to form. Of course, this more rich and meaningful relationship will only develop when people are mature enough to talk about and work through those projections and transferences with each other. Too often this may not be the case. The skeptics therefore reply that the disadvantage of ambiguity in text communication outweighs the possible advantage.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"> An entirely different comeback for cyberspace advocates is that one&#8217;s voice CAN be heard online. It&#8217;s only a matter of time before audio-streaming becomes perfected to the point where it matches the quality of IPR. In fact, conversing in cyberspace may have some distinct advantages. If you so desire, conversations easily could be saved and replayed &#8211; which isn&#8217;t possible in IPR, unless you&#8217;re carrying a tape recorder. Using software programs, nuances in voice pitch and volume can be examined more carefully for subtle emotions and meaning. Programs also could allow you to modify your voice as you transmit it. If you want to speak in the voice of Bill Clinton, Arnold Schwartzenegger, or Daffy Duck, so be it. Or you can add in any auditory special effect you desire in order to embellish your words &#8211; Pomp and Circumstance, explosions, quacks.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"> As we&#8217;ll see over and over again, a unique feature of CSR is the ability to use imagination and fantasy to shape the way in which you desire to present yourself. This can be a fascinating and revealing dimension to a relationship.</span></p>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"> Advocates of CSR also will be quick to point out the <a href="http://www-usr.rider.edu/%7Esuler/psycyber/emailrel.html#keyboarding">creative keyboarding techniques</a> that do allow onliners to simulate voice modulation, such as typing in caps to mimic SHOUTING. A poor substitute for the real thing, a skeptic will say. </span></p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.psicologiadigital.com/2009/09/13/a-psicologia-dos-relacionamentos-na-internet/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Efeito da desinibição online</title>
		<link>http://www.psicologiadigital.com/2009/09/11/efeito-da-desinibicao-online/</link>
		<comments>http://www.psicologiadigital.com/2009/09/11/efeito-da-desinibicao-online/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 16:12:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Efeito da desinibição]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.psicologiadigital.com/?p=186</guid>
		<description><![CDATA[A segurança na internet é um tema em desenvolvimento com várias discussões nas mais diversas áreas. Encontramos facilmente artigos que vão desde a segurança tecnológica dos sites até sobre temas educacionais. No entanto, ainda são poucos os estudos que visam entender a Psicologia na internet. A procura de mais artigos para meu Blog deparei-me com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A segurança na internet é um tema em desenvolvimento com várias discussões nas mais diversas áreas. Encontramos facilmente artigos que vão desde a segurança tecnológica dos sites até sobre temas educacionais. No entanto, ainda são poucos os estudos que visam entender a Psicologia na internet.</p>
<p>A procura de mais artigos para meu Blog deparei-me com um artigo sobre um fenômeno chamado &#8220;Efeito da desinibição online&#8221; &#8211; The Online Disinhibition Effect &#8211; proposto pelo psicólogo John Suler, do Departamento de Psicologia do Centro de Ciência e Tecnologia da Rider University.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-190" title="efeito_desinibição" src="http://www.psicologiadigital.com/wp-content/uploads/2009/09/efeito_desinibição-300x219.jpg" alt="efeito_desinibição" width="300" height="219" /></p>
<p>Segundo o pesquisador, este efeito possui dois lados. Algumas vezes as pessoas dividem informações e sentimentos muito pessoais, revelam segredos, emoções, medos e desejos e demonstrações de bondade e generosidade incomuns. Esse efeito pode ser chamado de desinibição benigna caso esteja auxiliando a pessoa a se expressar melhor.</p>
<p><span id="more-186"></span>Por outro lado, o efeito da desinibição pode não ser tão benigno assim quando utilizado para a divulgação de racismos, preconceitos, roubos, pornografia e violência através de espaços que a internet proporciona que não seriam visitados no mundo real. Dessa forma, o efeito é chamado de desnibição tóxica.</p>
<p>No lado positivo, a desinibição indica uma tentativa de entender e explorar a nós mesmos, trabalhando nossos problemas e encontrando novas maneiras de ser. Já as desinibições tóxicas, algumas vezes, representam uma espécie de catarse, uma forma de realização de desejos proibidos.</p>
<p>Mas o que causa essa desinibição? O que há na internet que consegue romper com essa barreira psicológica que bloqueia essas vontades e sentimentos tão íntimos? Segundo Suler, são vários os fatores envolvidos e na maioria das vezes estes fatores estão interagindo um com os outros, resultando em um efeito mais complexo e amplo.</p>
<p><strong>Você não me conhece (anonimato/dissociação)</strong></p>
<p>A maioria das pessoas com as quais você cruza pela internet não consegue facilmente dizer quem é você. Obviamente que existem maneiras de se identificar um determinado usuário na internet, mas para a grande maioria dos usuários você é o que você diz ser. Quando as pessoas têm a oportunidade de separar suas ações do seu mundo real e ainda preservando suas identidades, elas se sentem menos vulneráveis.</p>
<p>Ao expressar um sentimento hostil, por exemplo, a pessoa não precisa assumir a responsabilidade por essa ação. Na verdade, algumas pessoas nem mesmo reconhecem esses comportamentos como sendo &#8220;delas mesmas&#8221;. Na psicologia isso é chamado de &#8220;dissociação&#8221;.</p>
<p><strong>Você não pode me ver (invisibilidade)</strong></p>
<p>A oportunidade de ser fisicamente invisível aumenta o efeito da desinibição. O fato de não haver um contato físico (principalmente visual) numa conversa de texto entre você e outra pessoa na internet faz com que você se preocupe menos em dizer certas coisas. Suler explica  que podemos perceber esse fator quando a pergunta &#8220;Você falaria isso na cara dessa pessoa?&#8221; for negativa.</p>
<p><strong>Te vejo mais tarde (assincronicidade)</strong></p>
<p>O fato de não precisarmos lidar com a reação imediata de uma pessoa pode ser desinibidora. Algumas vezes esse efeito pode ser comparado com um &#8220;bater e correr emocional&#8221;, de acordo com Suler. Poder considerar como as pessoas provavelmente irão reagir a alguma coisa mais de uma vez nos ajuda a desenvolver uma habilidade de prever suas respostas e, assim, criar uma empatia com elas.</p>
<p><strong>Está tudo na minha cabeça (introjeção solipicista</strong>)</p>
<p>Quando estamos concentrado em um bate-papo na internet geralmente &#8220;escutamos&#8221; a conversação em nossa mente e &#8220;sub-vocalizamos&#8221; o que estamos lendo. Conseguimos inclusive interpretar o tom de voz e escutar o que está sendo dito da maneira como gostaríamos que estivesse sendo dito.</p>
<p><strong>É apenas um jogo (imaginação d</strong><strong>issociativa</strong>)</p>
<p>Neste cenário, as pessoas lidam com a interação com outras pessoas como sendo uma dimensão &#8220;faz-de-conta&#8221;, totalmente separada das demandas e responsabilidades mundanas. Elas acreditam que podem sair a qualquer momento deste jogo, deixando inclusive essa identidade fictícia para trás.</p>
<p><strong>Somos todos iguais (autoridade minimizada</strong><strong></strong>)</p>
<p>A internet proporciona um sentimento de igualdade que nos encoraja a dizer o que pensamos de forma a minimizar as relações de poder que podem existir entre as pessoas presencialmente. Esse fator, também contribui para o efeito da desinibição online.</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow: hidden; position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px;">
<div>
<p><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;">It&#8217;s well known that people say and do things in cyberspace that they wouldn&#8217;t ordinarily say or do in the face-to-face world. They loosen up, feel more uninhibited, express themselves more openly. Researchers call this the &#8220;disinhibition effect.&#8221; It&#8217;s a double-edged sword. Sometimes people share very personal things about themselves. They reveal secret emotions, fears, wishes. Or they show unusual acts of kindness and generosity. We may call this <em>benign disinhibition</em>. </span></div>
<p align="justify"><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"> On the other hand, the disinhibition effect may not be so benign. Out spills rude language and harsh criticisms, anger, hatred, even threats. Or people explore the dark underworld of the internet, places of pornography and violence, places they would never visit in the real world. We might call this <em>toxic disinhibition</em>.</span></p>
<p><span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: x-small;"> On the benign side, the disinhibition indicates an attempt to understand and explore oneself, to work through problems and find new ways of being. And sometimes, in toxic disinhibition, it is simply a blind catharsis, an acting out of unsavory needs and wishes without any personal growth at all.</span></p>
<p>What causes this online disinhibition? What is it about cyberspace that loosens the psychological barriers that block the release of these inner feelings and needs? Several factors are at play. For some people, one or two of them produces the lion&#8217;s share of the disinhibition effect. In most cases, though, these factors interact with each other, supplement each other, resulting in a more complex, amplified effect.</p></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.psicologiadigital.com/2009/09/11/efeito-da-desinibicao-online/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Psicologia e a Internet</title>
		<link>http://www.psicologiadigital.com/2009/09/04/a-psicologia-e-a-internet/</link>
		<comments>http://www.psicologiadigital.com/2009/09/04/a-psicologia-e-a-internet/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 13:48:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[computador subjetivo]]></category>
		<category><![CDATA[percepção]]></category>
		<category><![CDATA[realidade]]></category>
		<category><![CDATA[realidade compartilhada]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.psicologiadigital.com/?p=122</guid>
		<description><![CDATA[Com o surgir dos computadores e, especialmente, da internet, uma nova dimensão de experiências humanas está rapidamente surgindo. Termos como &#8220;mundo virtual&#8221;, &#8220;ciberespaço&#8221;, entre outros, tem sido mencionados cada vez mais. Essas novas experiências criadas podem ser entendidas como &#8220;espaços&#8221; psicológicos. Quando alguém liga um computador, inicia um programa, escreve um email, ou acessa algum [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Com o surgir dos computadores e, especialmente, da internet, uma nova dimensão de experiências humanas está rapidamente surgindo. Termos como &#8220;mundo virtual&#8221;, &#8220;ciberespaço&#8221;, entre outros, tem sido mencionados cada vez mais.</p>
<p style="text-align: left;">Essas novas experiências criadas podem ser entendidas como &#8220;espaços&#8221; psicológicos. Quando alguém liga um computador, inicia um programa, escreve um email, ou acessa algum de seus serviços online, os usuários têm a sensação de estarem entrando, consciente ou inconscientemente, num &#8220;lugar&#8221; ou &#8220;espaço&#8221; que é composto por uma série de significados e sentidos. Observa-se isso nas descrições que os usuários fazem ao acessar uma página na internet, como estarem &#8220;navegando&#8221; ou &#8220;indo a algum lugar&#8221;. Ou seja, metáforas como &#8220;mundo&#8221;, &#8220;domínios&#8221;, &#8220;salas&#8221;, &#8220;estar em&#8221;, &#8220;dentro de&#8221; são comumente associadas à atividades da internet.</p>
<p style="text-align: left;">
<div id="attachment_162" class="wp-caption aligncenter" style="width: 374px"><img class="size-medium wp-image-162" title="percepção_realidade" src="http://www.psicologiadigital.com/wp-content/uploads/2009/09/percepção_realidade-300x216.jpg" alt="Foto: Maria da Silva - Percepção e Realidade" width="364" height="259" /><p class="wp-caption-text">Foto: Maria da Silva - Percepção e Realidade</p></div>
<p style="text-align: left;">Em um nível psicológico mais profundo, alguns usuários descrevem como seus computadores são extensões de sua mente e personalidade. Como um &#8220;espaço&#8221; que reflete seus gostos, atitudes e interesses. Trazendo alguns termos psicanalíticos, computadores e a internet se tornam uma espécie de &#8220;espaço transicional&#8221;.</p>
<p style="text-align: left;"><span id="more-122"></span></p>
<p style="text-align: left;">Espaço transicional é o espaço criado pela atualização do espaço potencial, aquele que Winnicott diz existir entre o bebê e a mãe na época da dependência absoluta. Nessa época, marcada pela fusão, não existe qualquer espaço psicológico separando o bebê da sua mãe. No espaço potencial irão sendo colocados &#8220;objetos&#8221; (experiências do bebê), e mais tarde objetos concretos, que o bebê virá a possuir, e é assim que no espaço potencial cria-se o espaço transicional.</p>
<p style="text-align: left;">A partir de Kant, e com a colaboração final de Lacan, sabemos que não existe uma REALIDADE da qual se possa ter certeza, pois o REAL (a coisa em si) está fora do campo da percepção. De acordo com Lacan, existe, então, duas maneiras de compreender o &#8220;real&#8221;: o simbólico, esse território onde tudo é  possível mas nada é certo, e o imaginário, onde muita coisa é certa mas quase nada é possível.</p>
<p style="text-align: left;">
<blockquote><p>“O que percebemos objetivamente não se chama &#8220;realidade&#8221;, mas &#8220;realidade compartilhada&#8221;, ou seja, aquilo sobre o qual duas ou mais pessoas concordam que &#8220;é verdade&#8221;.”<br />
- Winnicott</p></blockquote>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">Na linguagem de Winnicott, esses dois territórios equivalem às coisas que percebemos objetivamente, em contraste com as coisas que concebemos subjetivamente. Pois para Winnicott o que percebemos objetivamente não se chama &#8220;realidade&#8221;, mas &#8220;realidade compartilhada&#8221;, ou seja, aquilo sobre o qual duas ou mais pessoas concordam que &#8220;é verdade&#8221;, e quanto mais pessoas concordarem a respeito, mais &#8220;verdadeira&#8221; é a coisa percebida. Exemplo: muitas coisas são verdadeiras para um povo, enquanto outro as acha inteiramente disparatadas. E nos partidos políticos, assim como nos torcedores de clubes esportivos, vemos &#8220;realidades compartilhadas&#8221; que só são compartilhadas por eles mesmos, sendo inteiramente desacreditadas pelos demais.</p>
<p style="text-align: left;">A &#8220;realidade compartilhada&#8221; tem, em sua periferia, uma ampla região onde a qualidade de &#8220;verdadeiro&#8221; é muitíssimo escassa, vigorando ali mais o que <span>duas ou mais pessoas</span> estão de acordo sobre determinado fenômeno, do que a possibilidade de ele ser captado por instrumentos físicos de registro, tais como uma máquina fotográfica. A inexistência de uma fronteira nítida entre a &#8220;realidade&#8221; e a &#8220;ilusão&#8221;, portanto, é um dos elementos centrais para a compreensão do problema da percepção humana.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.psicologiadigital.com/2009/09/04/a-psicologia-e-a-internet/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Identidade na era da www</title>
		<link>http://www.psicologiadigital.com/2009/06/27/identidade-na-era-da-www/</link>
		<comments>http://www.psicologiadigital.com/2009/06/27/identidade-na-era-da-www/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 22:28:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Identidade]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[Modernidade Líquida]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://psicologiadainformacao.wordpress.com/?p=42</guid>
		<description><![CDATA[Navegando hoje pela internet me deparei com esse texto bem interessante! Comecei a ler recentemente o livro Modernidade Líquida e realmente vale a pena! Este texto conseguiu expressar um pouco do que estou pensando, até agora, sobre essa nova lógica espaço-tempo que a tecnologia e a informação instantânea tem provocado. E aí? Vocês concordam? A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-52" title="man_computer" src="http://psicologiadigital.tempsite.ws/wp/wp-content/uploads/2009/06/man_computer.jpg" alt="man_computer" width="111" height="96" />Navegando hoje pela internet me deparei com esse texto bem interessante!</p>
<p style="text-align: justify;">Comecei a ler recentemente o livro Modernidade Líquida e realmente vale a pena! Este texto conseguiu expressar um pouco do que estou pensando, até agora, sobre essa nova lógica espaço-tempo que a tecnologia e a informação instantânea tem provocado. E aí? Vocês concordam?</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-42"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A Identidade na era da www</strong></p>
<p style="text-align: justify;">As velocidades nessa pós-modernidade estão de tal forma aceleradas que uma das palavras mais conhecidas pelos internautas de todo o mundo não tem mais de dez anos, é o nome do mecanismo de busca <em>Google</em>. O termo <em>Google</em> foi criado em 1998 por Larry Page e Sergey Brin a partir de uma variação, por motivo de registro de marca, do termo matemático <em>googol</em>. Este termo matemático também é recente e foi criado na década de 1940 por Milton Sirota, atendendo a um pedido de seu tio o matemático Edward Kasner, na época também cunhou o termo <em>googolplex</em>. Com aproximadamente seis anos de existência <em>Google</em> virou verbo e em alguns países utilizam <em>to google</em> com o significado de pesquisar na internet.</p>
<p style="text-align: justify;">A inter-relação homem-internet apresenta algumas peculiaridades como o hábito com a velocidade de resposta (<em>feedback</em>) e que acabam por refletir em outras instâncias da vida cotidiana. No próprio resultado de uma busca já se nota uma certa tendência nos relatos dos internautas, sobretudo dos jovens, que compreende uma certa impaciência e falta de perseverança frente a frustração de não encontrar imediatamente algo. E, esta tendência se desdobra numa crença sobre o mundo virtual: <em>se não está na internet não existe no mundo</em>. Uma perigosa inversão na qual a existência de uma página é tida como prova de realidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste mundo em que os significados mudam em grande velocidade têm-se alguns aspectos. Como vantagem a ampliação dos recursos reflexivos devido à velocidade de transmissão de informações, que age como se os espaços ficassem menores. Esta vinculação espaço-tempo cria uma lógica que pode ser expressa como: <em>se rápido logo perto</em>. A desvantagem, dentre outras, está na criação da ilusão: <em>se demorou já passou ou não existe mais</em>. Estas condições propiciam um contínuo confronto e nesses a idéia de identidade, que não se permite mais ser associada à estabilidade. As velocidades, se comparadas às da década de 1980, são de tal monta superiores que deixam uma impressão que mesmo as experiências mais recentes já são parte de um passado. As lógicas subjacentes às expressões <em>instantaneidade</em> e a<em> descartabilidade</em>, até então da área mercadológica, invadiram outras instâncias do cotidiano e tornaram os elementos mais efêmeros, descontínuos e de aparência enganosa, inclusive os sentimentos. (BAUMAN, 2001; SOAR FILHO, 2005).</p>
<p style="text-align: justify;">As indiscutíveis virtudes da virtualidade possuem algumas características interessantes e como exemplo cito um fato interessante, do início deste século XXI, em que um comunicado de resultados, do presidente de uma corporação ligada a internet, continha um tempo verbal inadequado e em questão algumas horas todas as bolsas do mundo registraram uma forte queda. Disse ele: &#8221; &#8230; os resultados poderiam ser melhores &#8230;&#8221;. Não houve análise de quão bons foram, não houve comparação alguma, o caos estava instalado! Este fato que nos remete a pensar na famosa frase de Marx &#8220;tudo que é sólido desmancha no ar&#8221; e também nos permite uma adaptação para a volatilidade desse mundo internáutico: &#8220;<em>tudo que é insólito sublima no virtual</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Referências bibliográficas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">AMERICAN Heritage Dictionary.  v. 3.5, California: Softkey, 1994. (CD-ROM)</p>
<p style="text-align: justify;">BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.</p>
<p style="text-align: justify;">LÉVY, Pierre.  As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática.  Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.</p>
<p style="text-align: justify;">SOAR FILHO, Ercy.  Para que terapia?: estudo interdisciplinar sobre o self contemporâneo.   Florianópolis, 2005. Tese (Doutorado Interdisciplinar), Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas.</p>
<p style="text-align: justify;">*Fonte: <a title="www.awmueller.com" href="http://www.awmueller.com" target="_blank">http://www.awmueller.com</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.psicologiadigital.com/2009/06/27/identidade-na-era-da-www/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Modelo Mental &#8211; Onde está a mente?</title>
		<link>http://www.psicologiadigital.com/2009/06/24/modelo-mental-onde-esta-a-mente/</link>
		<comments>http://www.psicologiadigital.com/2009/06/24/modelo-mental-onde-esta-a-mente/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2009 14:41:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thiago Tavano Sammartino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Design da Interação]]></category>
		<category><![CDATA[Modelo Mental]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://psicologiadainformacao.wordpress.com/?p=35</guid>
		<description><![CDATA[Na primeira aula do curso da Pós, após experimentarmos um pouco o modelo de jogo do Nintendo Wii, iniciamos um debate sobre Modelos Mentais. Nosso professor Fred, do blog Usabilidoido, nos questionou sobre a localização da mente. Estaria ela no nosso cérebro? Poderia estar também &#8220;espalhada&#8221; pelo corpo? A questão gerou certa polêmica e todos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Na primeira aula do curso da Pós, após experimentarmos um pouco o modelo de jogo do Nintendo Wii, iniciamos um debate sobre Modelos Mentais. Nosso professor Fred, do blog <a title="Usabilidoido" href="http://www.usabilidoido.com.br/">Usabilidoido</a>, nos questionou sobre a localização da mente. Estaria ela no nosso cérebro? Poderia estar também &#8220;espalhada&#8221; pelo corpo?</p>
<p style="text-align: justify;">A questão gerou certa polêmica e todos trouxeram pensamentos interessantes, no entanto, senti um pouco a falta de teorias (afinal de contas, psicólogo que é psicólogo adora teorias). Comecei por pesquisar sobre esses modelos trazidos pela linha psicológica Cognitivo-Comportamental.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-35"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O modelo mental dos indivíduos, que forma a estrutura básica da realidade subjetiva, é configurado pelas experiências físicas e afetivas. O sistema de crenças e valores funciona como um filtro perceptual, sendo utilizado pelo indivíduo na visão que faz do mundo. Por meio dos filtros perceptuais o indivíduo atribui significados aos eventos ambientais.</p>
<p style="text-align: justify;">O modelo mental formado na socialização básica receberá influências dos processos de outras interações sociais, num processo, onde o sistema de crenças e valores será continuamente ampliado (ZANELLI, 2000).</p>
<div class="mceTemp" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_36" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-36" title="Processo de Interação Humana" src="http://psicologiadainformacao.files.wordpress.com/2009/06/cognitivo1.jpg" alt="Processo de Interação Humana" width="500" height="204" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Processo de Interação Humana</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify;">Também chamado de “teoria-em-uso” por Senge (1998) e de “esquema mental” pela teoria da cognição social é o responsável pela formação das atitudes. O conceito de atitude era entendido por Lambert e Lambert (citados por GLEN, 1976) como sendo “uma maneira organizada e coerente de pensar, sentir e reagir a respeito de pessoas, grupos, questões sociais ou, mais geralmente, qualquer evento no meio ambiente do indivíduo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Autores como Katz e Stolland; Krech, Crutchfield e Ballockey; Smith, Bruner e White ( citados por RODRIGUES, ASSMAR e JABLONSKI, 1999; ATKINSON, ATKINSON, SMITH e outros, 2002), entendem o conceito de atitude como sendo a força motivadora da ação, uma pré-disposição ao comportamento, como decorrência de sentimentos prós ou contras pessoas e coisas com as quais entramos em contato em nossas experiências físicas e afetivas, compreendendo componentes cognitivos, afetivos e comportamentais. A atitude resulta do modelo mental e se situa na base do comportamento do indivíduo na sua condição de ser/estar no mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Terminada essa colocação teórica, mudei um pouco minha visão sobre o assunto. Na verdade, alterei o ponto focal da discussão. Acredito que na realidade não importa muito onde (se é que algum dia será possível afirmar) a Mente está localizada, mas sim que nosso corpo como um todo através da Interpretação da Realidade (seja física ou afetiva) está diretamente relacionada com nossas atitudes e consequentemente em como vamos nos comportar.</p>
<p style="text-align: justify;">Pensando dessa forma, é possível entender mais sobre como o Wii foi projetado. Para quase todos os jogos, não é preciso &#8220;reajustes significativos&#8221; em nosso Modelo Mental. A maneira como os jogos esperam que nos comportemos, na maioria das vezes, já fazem parte da nossa realidade social, cultura, crenças, etc. Dessa forma, sabemos quais atitudes e comportamentos adotar para as situações trazidas. Quando isso não ocorre, podemos citar o exemplo do filho do Fred, que não sabia como interagir com o jogo de Tênis.</p>
<p style="text-align: justify;">No próximo Post trarei a visão teórica Psicanalítica dos &#8220;Modelos Mentais&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Referências usadas neste Post:</strong></p>
<p style="text-align: justify;">ATKINSON, R. L., ATKINSON, R.C.; SMITH, E. E.; BEM, B. J. e NOLENHOECKSEMA, S. Introdução à Psicologia de Hilgard. Trad. Daniel Bueno. 13. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.</p>
<p style="text-align: justify;">GLEN, F. Psicologia social das organizações. Trad. Eduardo D’Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.</p>
<p style="text-align: justify;">RODRIGUES, A.; ASSMAR, E. M. L.; JABLONSKI, B. Psicologia Social. 19. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.</p>
<p style="text-align: justify;">SENGE, P. M. A quinta disciplina: arte e prática da organização de aprendizagem. 2. ed. São Paulo: Círculo do Livro, 1998.</p>
<p style="text-align: justify;">ZANELLI, J. C. Interações humanas, significados compartilhados e aprendizagem organizacional. Curitiba: ENEO, 2000.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.psicologiadigital.com/2009/06/24/modelo-mental-onde-esta-a-mente/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
